Urna eletrônica para votação nas eleições brasileiras Marcelo Camargo/Agência Brasil Os eleitores brasileiros já doaram ao menos R$ 8,8 milhões por meio de vaquinhas para as campanhas de 2026. Metade desse valor está concentrada em apenas dez candidatos. Os dados, consultados nesta terça-feira (25) na plataforma DivulgaCand, foram informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por quatro empresas de financiamento coletivo que já começaram a prestar contas.
O levantamento considera os valores informados pelas seguintes empresas de financiamento coletivo: Elegis: R$ 336.486,48 Conectei: R$20.212,00 Contribua: R$ 20.236,59 QueroApoiar: R$ 8.481.538,80 Apesar da atualização constante dos dados do TSE, os números reportados pelas plataformas não necessariamente correspondem ao total de doações feitas até agora. Isso acontece porque a prestação de contas é realizada a partir do momento em que os fundos são transferidos para a conta bancária de campanha.
São os próprios candidatos que enviam os dados ao TSE. Infográfico - Ranking de vaquinhas eleitorais até 25 de agosto de 2026. Arte/g1 Uma vez que recebem as receitas, os políticos têm 72 horas para enviar os valores ao sistema da Justiça Eleitoral.
Ao mesmo tempo, o prazo para os partidos e candidatos acertarem sua prestação de contas desde o início da campanha começa em 9 de setembro e vai até o dia 13 do mesmo mês. Já a prestação completa pode ser enviada até 14 de novembro. Candidatos mais apoiados Considerando apenas os dados das plataformas de recebimento de doações virtuais, os dez candidatos mais apoiados já receberam R$ 4,2 milhões, mais da metade do total reportado ao TSE até agora.
São eles: Renan Santos (Missão), candidato à Presidência: R$1,26 milhão; Marcel Van Hattem (Novo), candidato ao Senado por RS: R$743 mil; Jones Manoel (Psol), candidato a deputado federal por PE: R$573 mil; Rodrigo Spada (PSD), candidato a deputado federal por SP: R$469 mil; Kim Kataguiri (Missão), candidato a deputado federal por SP: R$216 mil; Humberto Matos (PCdoB), candidato a deputado estadual por RS: R$207 mil; Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência: R$203 mil; Deputado Caravina (PSDB), candidato a deputado estadual por MS: R$196 mil; Professor José (PSB), candidato a deputado federal por RJ: R$185 mil; Elias Jabbour (PCdoB), candidato a deputado federal por RJ: R$184 mil.
Assim como o g1 mostrou no início de julho, quase todos todos os políticos no topo do ranking têm forte presença nas redes sociais, e a maioria é de direita. Agora no g1 De acordo com o cientista político e professor da FGV Marco Antonio Teixeira, isso não é por acaso. “Os políticos de direita atuam nas redes sociais há mais tempo.
A esquerda começou a enfrentar as redes sociais recentemente”, afirma. Para o especialista, existe uma correlação direta entre apoio monetário e força nas redes sociais. “As redes são um espaço onde você dialoga com quem não está atuando politicamente em uma estrutura tradicional.
Os usuários muitas vezes são pessoas que não estão em partidos, sindicatos ou associações. O político consegue pegar esse cidadão que gostaria de se posicionar politicamente, mas não tem tempo”, explica. “Nas redes sociais, ele é atraído e toma essa decisão de apoiar.
É um militante que não vai para a rua. Ele atua mobilizado pelos diferentes canais de rede social”, diz o cientista político. Teixeira também destaca que, apesar de nem todos os políticos serem amplamente conhecidos, o resultado do ranking não deve ser visto como algo espontâneo.
Segundo ele, esse top 10 é resultado de uma estrutura de organização e anos de trabalho por trás dos nomes na lista. É o caso de Renan Santos e Kim Kataguiri, por exemplo, que contam com a infraestrutura do partido Missão. Já Jones Manoel possui quase 2 milhões de seguidores no Instagram.
Ele se filiou ao PSOL no final de março deste ano. “Ele tem a questão de ativismo individual muito forte, que precede isso”, avalia Teixeira. Tanto Jones como Humberto Matos e Professor José têm canais no YouTube em que comentam sobre acontecimentos da política.
Outro nome “novo” é o de Elias Jabbour, professor de Economia da UERJ, que foi assessor da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Diretoria de Pesquisas do Novo Banco de Desenvolvimento, em Xangai, na China, conhecido como “banco dos Brics”. Já Rodrigo Spada foi auditor fiscal da Receita Estadual de São Paulo. Foi eleito presidente da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais em 2020, e cumpriu mandatos consecutivos desde então.
Por fim, o professor também nota que um dos políticos que “puxam a fila” não é novo no “jogo”. Marcel Van Hattem, por exemplo, atua na estrutura política há muito tempo. Qual é a importância do financiamento coletivo?
Dentro da plataforma Quero Apoiar, o Missão é o partido com o maior valor arrecadado até o momento. Também é uma das siglas pequenas que, em decorrência do baixo número de assentos ocupados no Congresso, receberá a cota mínima do Fundo Eleitoral do TSE - de R$ 3.307.679,85. A estratégia do partido conta com as doações, segundo Amanda Vettorazzo, vereadora em São Paulo e coordenadora da campanha de Renan Santos.
“O Missão terá um recurso bem limitado de Fundo Eleitoral. A gente não tem Fundo Partidário. Ele será dividido entre os outros candidatos, menos o pré-candidato Renan Santos, que vai ter arrecadação própria através de vaquinha online e arrecadação”, afirmou Amanda ao g1.
É por isso que os outros presidenciáveis não abriram vaquinhas até o momento, segundo o advogado especialista em Direito Eleitoral Francisco Zardo. “São candidaturas que, diferentemente da do Renan Santos, se baseiam não tanto no engajamento dos eleitores, mas sim na força das máquinas públicas. Elas podem obter alguma arrecadação, mas é algo periférico”, destacou.
Além de Renan, Flávio Bolsonaro é o único outro presidenciável com maior desempenho nas pesquisas que se cadastrou nas plataformas de doação. Lula (PT), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) não lançaram campanhas de arrecadação coletiva. Candidaturas maiores tendem a se apoiar nos valores que recebem do Fundo Eleitoral, ou de doações individuais grandes.
As siglas dos candidatos receberão os seguintes valores do Fundo: PL: R$ 881,7 milhões; PT: R$ 615,4 milhões; PSD: R$ 421 milhões; Novo: R$ 90,11 milhões. Regras para as vaquinhas Conhecidas formalmente como "financiamento coletivo", as vaquinhas são doações de pessoas físicas feitas via internet para as campanhas eleitorais dos candidatos. O TSE regulamentou essa opção de financiamento em 2019 por causa da reforma eleitoral aprovada dois anos antes.
A alternativa foi uma resposta a um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia proibido a doação vinda de pessoas jurídicas sob a justificativa de que empresas poderiam desequilibrar o processo eleitoral por meio do poder econômico. Essa modalidade foi utilizada nas eleições de 2018, 2020, 2022 e 2024. Nas eleições presidenciais anteriores, segundo a prestação de contas reportada ao TSE, as vaquinhas acumularam R$ 14,6 milhões.
Nas eleições municipais de 2024, os brasileiros doaram R$ 7,7 milhões aos candidatos que disputaram o pleito. De acordo com a resolução da Justiça Eleitoral sobre o tema, os candidatos e partidos são obrigados a abrir uma conta bancária especificamente para receber as doações. Eles podem receber as quantias desde 15 de maio até o dia das eleições.
As regras para vaquinhas são as seguintes: Eleitores podem doar até 10% da renda bruta que declararam à Receita Federal no ano anterior. Os candidatos podem utilizar recursos próprios em campanhas, desde que respeitem o limite de 10%; Todas as doações devem ser identificadas, seja via PIX, transação bancária ou até mesmo cessão temporária de bens e serviços estimáveis em dinheiro.
É preciso ter um registro do CPF do doador; Doações financeiras iguais ou maiores que R$ 1.064,10 só podem ser feitas por transferência bancária entre o doador e o beneficiário ou cheque cruzado nominal; O uso de criptomoedas ou moedas virtuais é proibido. Existem plataformas especializadas no recebimento de doações virtuais de pessoas físicas, que podem se cadastrar na Justiça Eleitoral. Elas só podem operar mediante autorização do TSE.
Além disso, precisam cumprir com as seguintes regras: A instituição deve estar cadastrada previamente na Justiça Eleitoral, cumprindo com os termos do Banco Central para operar os arranjos de pagamento; Deve identificar o nome completo, o CPF de cada pessoa física que doou, a forma de pagamento, o valor repassado e a data da transação; Precisa disponibilizar em seu site a lista com identificação dos apoiadores e a quantia doada, com atualizações em tempo real; É obrigada a emitir comprovantes de cada doação; Deve deixar claras aos candidatos e eleitores as taxas administrativas pela realização do serviço; Estão proibidas de veicular materiais de doações que contenham pedidos de voto antes do início da campanha eleitoral, em 16 de agosto.
