Nobel de Física premia pesquisa com neutrinos Um cientista belga que estuda partículas invisíveis na Antártica ganhou nesta terça-feira (6) o Prêmio Nobel de Física. Francis Halzen é o caça-fantasma da ciência. O cientista belga usou instrumentos enterrados no gelo do Polo Sul, a quase 3 mil metros de profundidade, para enxergar viajantes vindos do espaço profundo, chamados neutrinos.

📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Neutrinos estão entre as partículas mais abundantes do universo. O nosso Sol mesmo manda para cá uma vasta quantidade, o tempo todo. A cada segundo, 1 bilhão de neutrinos atravessam a palma da minha mão e eu não sinto e não vejo nada.

O neutrino não tem carga elétrica, tem massa quase nula e atravessa o planeta inteiro como se fosse um vazio. Por isso, ele é chamado de partícula fantasma. Até Halzen ter uma ideia que muita gente não acreditou que fosse dar certo.

Ele suspeitava que a rara colisão de um neutrino com um átomos do gelo geraria alguma reação que fosse possível observar. Para provar a hipótese, o cientista foi até o Polo Sul e transformou gelo em detector. Era ideal porque o gelo é transparente e escuro.

A equipe enterrou 86 cabos com mais de 5 mil sensores de luz em um gigantesco bloco de gelo. Deu certo. Foi possível observar os rastros de luz azul das colisões dos neutrinos com o gelo, e Halzen criou uma nova ciência, a astronomia de neutrinos.

Cientista belga que estuda partículas invisíveis na Antártica ganha o Nobel de Física Jornal Nacional/ Reprodução Mas por que observar um neutrino é importante? Porque a partícula pode revelar muitos segredos sobre o universo. Para isso, os cientistas querem identificar os neutrinos de alta energia, que vêm de mais longe, do espaço sideral profundo.

Como o neutrino quase não interage com nada, faz a viagem pelo universo em linha reta, ele aponta, como uma bússola para o lugar de onde saiu, como buracos negros ou galáxias bem distantes. “Essa luz deixa um rastro. E esse rastro permite reconstruir a direção de onde veio o neutrino.

E isso permite-nos começar a compor um cenário sobre as regiões do universo que produzem esse tipo de partículas. Eles sempre, então, carregam informação sobre processos extremos no cosmos. Por exemplo, o que acontece no entorno de buracos negros?

Ou o que acontece quando uma estrela explode? Ele consegue trazer informação de regiões que a luz não consegue acessar, como, por exemplo, o próprio núcleo das estrelas, quando existe um processo de colapso e explosão estelar. Isso foi realmente revolucionário porque abriu uma nova janela da astrofísica”, diz Ulisses Barres, pesquisador do CBPF/Instituto Serrapilheira.

Embora Halzen seja o primeiro cientista em mais de três décadas a receber o prêmio sozinho, ele deu crédito à equipe. Mais de 400 cientistas do mundo todo fazem parte do projeto IceCube, na Antártica. Ele disse que os desafios foram superados por uma combinação de perseverança, talento e sorte.

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