No Brasil, 26 pessoas foram assassinadas em 2025 por resistirem a invasões de suas terras, florestas e territórios. O número representa o dobro do registrado no ano anterior e recoloca o país entre os mais violentos do planeta para quem atua na proteção do meio ambiente. Entre as vítimas brasileiras citadas no documento, 11 eram pequenos agricultores e sete eram indígenas.
Os dados fazem parte do relatório anual "Collective Power", publicado pela Global Witness, organização internacional que monitora, desde 2012, mortes e desaparecimentos de pessoas que se opõem à exploração predatória de recursos naturais. O levantamento mostra que a América Latina concentrou 85% dos 124 assassinatos documentados globalmente no último ano.
O relatório aponta que das 26 vítimas: sete estavam relacionados a reivindicações indígenas por reconhecimento de território ancestral; 14 envolviam pleitos de reforma agrária de pequenos agricultores e comunidades quilombolas. Os demais casos não são detalhados no documento. Os estados de Rondônia e Pará concentraram metade dos casos registrados.
De acordo com a Global Witness, isso reflete o avanço das fronteiras agropecuária e extrativista sobre áreas de agricultura familiar, impulsionado por madeireiros ilegais, garimpeiros e produção de gado em áreas também ilegais. O documento aponta que o Brasil vive um momento sensível para os direitos humanos e questões ambientais. Isso porque no relatório publicado em 2025, com dados de 2024, o número de mortes estava em 13 -- metade do que foi visto agora.
E o relatório ainda cita que é possível que o índice seja maior, já que há uma subnotificação de casos. Principalmente envolvendo casos indígenas, vivendo em áreas isoladas, nem sempre esses casos são denunciados e recebem o registro formal para que sejam incluídos em relatórios.
Colômbia: cocaína e crime organizado elevam o risco de proteger a terra Vizinha do Brasil, a Colômbia aparece como o país mais letal do mundo para defensores ambientais, com 39 mortes contabilizadas em 2025 — número que, apesar de representar queda em relação às 48 do ano anterior, ainda coloca o país à frente de qualquer outro no ranking global. Quase metade das vítimas era indígena, e outras 15 eram pequenos agricultores; 35 das 39 mortes tiveram relação direta com conflitos de terra.
O relatório aponta o departamento de Cauca, no sudoeste colombiano, como o epicentro dessa violência: 13 assassinatos em 2025, incluindo quatro integrantes de guardas indígenas — sistemas de autodefesa comunitária que monitoram o território e confrontam invasores. Desde 2012, a região já soma 171 casos, o maior número entre todos os departamentos do país. E o que explica isso?
A proximidade com a fronteira equatoriana e o acesso a rotas de exportação pelo Pacífico transformaram Cauca em corredor estratégico para o narcotráfico. O cultivo de coca na área quintuplicou na última década, à medida que grupos armados colombianos e cartéis mexicanos ampliaram influência sobre o território — dinâmica que também acelera o desmatamento e a contaminação de rios, segundo o levantamento.
A Global Witness identificou suspeita de ligação com o crime organizado em 17 das mortes colombianas registradas no ano, e outras cinco foram atribuídas a assassinos de aluguel.
