Vídeo mostra fumaça encobrindo bairro de Manaus na tarde desta segunda-feira (12) A fumaça que encobriu Manaus durante toda esta segunda-feira (12) persistiu porque a atmosfera teve pouca capacidade de dispersar os poluentes, segundo a meteorologista Andrea Ramos. A situação manteve a capital amazonense com a pior qualidade do ar do Brasil até às 18h, de acordo com dados da plataforma internacional IQAir.

Imagens feitas durante a tarde e encaminhadas ao g1 mostram o horizonte encoberto pela fumaça em diferentes pontos de Manaus. Um dos registros, feito por um morador do Conjunto Castanheiras, no bairro Gilberto Mestrinho, mostra pouca visibilidade. A qualidade do ar foi classificada como “insalubre” pela plataforma.

Por volta das 17h, o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) chegou a 181, após atingir 195 mais cedo. No fim da tarde, a concentração de partículas finas PM2.5 era de 97,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³). 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo a IQAir, a concentração de partículas finas chegou a 19,6 vezes o valor de referência anual estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também registrou condições críticas de qualidade do ar. Por volta das 18h, os sensores espalhados por Manaus classificavam a qualidade do ar como “péssima” ou “muito ruim”. Apenas o equipamento instalado na região central da cidade registrava nível “moderado”.

Em um dos pontos monitorados, o índice chegou a 218,1. Atmosfera teve pouca capacidade de dispersar poluentes, diz meteorologista A meteorologista Andrea Ramos explicou que os focos de queimadas ativos na região contribuem para manter a poluição próxima à superfície. Normalmente, o aquecimento ao longo do dia favorece a dispersão dos poluentes, mas esse processo não foi suficiente nesta segunda-feira.

LEIA TAMBÉM: Cargueiro da FAB inicia operação contra incêndios no Amazonas; previsão é de 3 voos por dia “Ao longo do dia, o aquecimento normalmente favorece alguma dispersão da fumaça, mas hoje esse processo não foi suficiente para remover — caso houvesse chuvas — ou dispersar/transportar — quando a direção e intensidade do vento facilita”, declarou. E as chuvas? A previsão indica pouca chuva em Manaus entre esta segunda-feira (12) e terça-feira (13), segundo a meteorologista.

A possibilidade de pancadas aumenta na quarta-feira (14) e na quinta-feira (15), o que pode melhorar temporariamente a qualidade do ar. “Uma condição de chuva mais frequente aparece principalmente do fim de semana para o início da próxima semana. Até lá, a qualidade do ar ainda pode oscilar bastante de um período para outro”, pontuou.

Influência do El Niño A meteorologista explicou que o El Niño pode agravar as condições favoráveis aos incêndios na Amazônia. Em determinados períodos, o fenômeno reduz as chuvas e eleva as temperaturas em partes da região, deixando a vegetação mais seca e suscetível ao fogo. Ramos ressaltou, no entanto, que o El Niño não produz fumaça diretamente, mas pode criar condições climáticas favoráveis à ocorrência e à persistência dos incêndios.

“O El Niño pode contribuir para esse cenário porque, em determinados períodos, favorece a redução das chuvas e temperaturas mais elevadas sobre partes da região amazônica, aumentando o ressecamento da vegetação e a suscetibilidade ao fogo. Mas é importante destacar que o El Niño não produz a fumaça”, afirmou. Focos de incêndio no Amazonas O agravamento da fumaça que encobre a região ocorre em meio ao disparo de registros de focos de incêndio no estado.

Nos dez primeiros dias de outubro deste ano, o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, um aumento de 271% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 372 registros. Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Do total registrado neste mês, 1.186 focos foram identificados em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais cuja situação fundiária não foi definida.

No mesmo período, 246 focos foram registrados em áreas de assentamentos federais, 116 atingiram terras indígenas e 97 ocorreram em unidades de conservação. Fumaça encobre Manaus Reprodução/Redes Sociais