Lula e Flávio Bolsonaro Amanda Perobelli/Reuters e Evaristo Sá/AFP Milhões de brasileiros sonham com uma vaga no serviço público e dedicam anos de estudo para conseguir a aprovação em concursos. A abertura de novos concursos públicos e a autorização para preencher cargos dependem, entre outros fatores, das necessidades de pessoal dos órgãos, das decisões do governo e da disponibilidade de recursos no orçamento.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp Na disputa pela Presidência da República entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), as propostas dos candidatos para a administração pública apontam possíveis caminhos diferentes para as contratações no serviço público federal. O g1 analisou o histórico recente de contratações e os planos de governo dos candidatos, além de pedir esclarecimentos às campanhas.

Nenhum dos dois programas estabelece metas específicas para o número de concursos públicos federais a serem realizados no próximo mandato. Por isso, os documentos não permitem prever, por si só, quantos concursos serão abertos nos próximos anos. Veja abaixo o que se sabe e os principais pontos.

Agora no g1 Como foi o histórico recente de concursos Para os concurseiros, o serviço público tem dois grandes atrativos: Alguns concursos oferecem salários superiores a R$ 30 mil, além de benefícios que variam conforme o órgão e a carreira. Servidores nomeados para cargos efetivos por meio de concurso público podem adquirir estabilidade após três anos de trabalho, desde que cumpram os requisitos legais.

Os números recentes mostram quantos provimentos de cargos públicos federais foram autorizados nos últimos três governos. 🔎 O que é provimento? É o ato administrativo que formaliza o preenchimento de um cargo público.

No caso dos concursos, as autorizações permitem que os órgãos avancem na nomeação dos candidatos aprovados, seguindo as regras previstas em lei. O número de provimentos autorizados não significa necessariamente que todos os candidatos já tenham tomado posse. Os dados foram fornecidos pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

O levantamento considera tanto as vagas previstas nos editais quanto as vagas adicionais ou excepcionais autorizadas posteriormente. Entre 2016 e 2018, durante o governo de Michel Temer, foram autorizados 4.334 provimentos em 15 órgãos da administração pública federal. Entre 2019 e 2022, o governo Jair Bolsonaro autorizou 10.012 provimentos em 14 órgãos federais.

Já entre 2023 e setembro de 2026, durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, foram autorizados 25.767 provimentos em 104 órgãos federais. Histórico anual de provimentos autorizados Para 2027, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso Nacional prevê R$ 1,3 bilhão para despesas com pessoal relacionadas a concursos e novas contratações no Poder Executivo federal, além de R$ 1,2 bilhão destinados a concursos e contratações em instituições federais de ensino.

Segundo o MGI, esses valores representam uma autorização para gastar, não uma garantia de que os recursos serão utilizados. A liberação do dinheiro dependerá de decisões tomadas a partir de janeiro de 2027. Para entender o que pode acontecer nos próximos anos, veja o que Lula e Flávio Bolsonaro propõem para a administração pública.

Os programas de governo dos dois candidatos não detalham como seriam realizados os concursos, como a organização das provas, a escolha das bancas examinadoras ou a publicação de editais específicos. No entanto, apresentam propostas que podem influenciar a estrutura do serviço público e a realização de concursos nos próximos anos.

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL) Flávio Bolsonaro (PL) Foto: Vittor Sales O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) prevê uma reforma administrativa voltada à modernização da estrutura do Estado e das carreiras do funcionalismo público. (entenda as principais propostas do candidato) O documento afirma que a proposta busca tornar a administração pública mais eficiente e revisar normas e procedimentos considerados excessivamente burocráticos.

Entre as medidas previstas estão o corte de pelo menos 10 ministérios, a redução de cargos comissionados e de despesas administrativas. O plano também defende o combate aos chamados supersalários e penduricalhos no serviço público. O candidato propõe ampliar a profissionalização da gestão pública.

Segundo o documento, cargos de direção em órgãos públicos, empresas estatais e agências reguladoras devem ser ocupados com base em critérios técnicos, com recrutamento inspirado em práticas do mercado privado e menor influência de indicações políticas. O plano prevê ainda o fortalecimento da Lei das Estatais e a adoção de processos de seleção focados na qualificação profissional. O plano, porém, não detalha alterações específicas para a realização de concursos.

O documento também defende avaliações periódicas de desempenho e uma administração orientada por metas e resultados. (veja outras propostas do candidato para o funcionalismo público) Em relação às empresas públicas, o plano prevê a retomada do Programa Nacional de Desestatização (PND). A proposta é avaliar, caso a caso, quais atividades ainda justificam a presença direta do Estado.

Ao mesmo tempo, o documento afirma que empresas que permanecerem sob controle público deverão adotar regras de governança corporativa e processos de recrutamento profissional para cargos de liderança. Em nota enviada ao g1, a assessoria do candidato disse que "os concursos públicos federais serão mantidos e realizados de acordo com as necessidades e demandas para aperfeiçoar o atendimento à população, sempre priorizando a eficiência dos serviços prestados".

"Durante o período de transição e, ao longo do governo, serão realizadas análises sobre quantidade de vagas em diferentes setores, com base em estudos técnicos e a modernização da administração pública", completou.

O que propõe Luiz Inácio Lula da Silva (PT) O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à reeleição, participa da cerimônia de encerramento de uma reunião conjunta das bancadas do PT no Congresso, antes do segundo turno das eleições, em Brasília, Brasil, em 7 de outubro de 2026 REUTERS/Adriano Machado O programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a continuidade da valorização do funcionalismo público e a ampliação das políticas de gestão de pessoas na administração federal.

(entenda as principais propostas do candidato) O texto destaca a retomada do diálogo com os servidores e prevê o aprofundamento das medidas adotadas desde 2023 para a reestruturação de carreiras e a modernização do Estado. Uma das principais propostas é o fortalecimento da Mesa Nacional de Negociação Permanente, espaço de diálogo entre o governo e representantes dos servidores. Segundo o programa, o objetivo é dar continuidade às discussões sobre carreiras, remuneração e gestão de pessoas no Executivo federal.

O documento também prevê a regulamentação do direito à negociação coletiva no setor público e a atualização do sistema de relações de trabalho. A proposta é ampliar os mecanismos de diálogo entre o governo e as categorias do funcionalismo. O texto também prevê ações de capacitação de servidores e compartilhamento de infraestrutura digital e tecnologias entre os entes federativos.

O plano prevê ainda a continuidade das políticas de promoção da igualdade racial no serviço público. Segundo o documento, serão mantidas e ampliadas ações voltadas à participação da população negra no funcionalismo, especialmente em cargos de gestão e liderança. O programa também defende o fortalecimento da política de cotas para pessoas negras, indígenas e quilombolas nos concursos públicos.

Embora o texto não apresente metas específicas para novos concursos, a proposta do PT prevê a valorização das carreiras públicas, a continuidade da recomposição da força de trabalho federal e o fortalecimento dos serviços prestados pelo Estado.

Em nota enviada ao g1, a assessoria do candidato disse que vai manter e ampliar o modelo do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) e dar continuidade à realização de concursos públicos para repor servidores e atender áreas como saúde, educação, combate ao desmatamento e agências reguladoras. A proposta também prevê aprimorar o dimensionamento da força de trabalho nos órgãos públicos, considerando as necessidades de contratação e os impactos de novas tecnologias e da inteligência artificial.

Além disso, a assessoria afirmou que pretende manter seleções centralizadas e investir em carreiras transversais, cujos profissionais podem atuar em diferentes órgãos e ministérios, conforme as prioridades do governo. (veja a nota completa abaixo) O que dizem os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva(PT) "Vamos manter e ampliar o modelo do Concurso Público Nacional Unificado, inovador e inclusivo, que representa um benefício para todos os envolvidos.

O modelo permite aliar um aumento da eficiência no uso dos recursos públicos, ampliar a diversidade nas seleções e trazê-la para dentro do Estado brasileiro, o que ajuda na formulação de políticas públicas em função das diferentes realidades que existem em nosso país. Os candidatos pagam só uma inscrição e fazem só uma prova. Os órgãos não precisam cada um organizar seu concurso, o que reduz tempo e recursos.

Além disso, conseguimos aplicar provas no Brasil todo, do Oiapoque ao Chuí, e assegurar a aplicação efetiva da Lei de Cotas. Nossa ideia, inclusive, é estudar o uso desse modelo para selecionar profissionais também para estados e municípios de forma integrada, numa prova só, a ser realizada periodicamente – uma vez por ano ou uma vez a cada dois anos, a depender de como avançarmos no modelo. A política será de continuidade em relação ao praticado na gestão atual do presidente Lula.

Vamos continuar fazendo concursos para garantir a manutenção e ampliação das políticas públicas de saúde, educação, combate ao desmatamento, suporte aos investimentos produtivos, via reforço da atuação das agências reguladoras, entre outras áreas fundamentais para o funcionamento do Estado e atendimento à população. No primeiro mandato foi autorizado o provimento de 25 mil vagas para 104 cargos, e também ingressaram cerca de 30 mil profissionais na área de educação.

Ao mesmo tempo, cerca de 30 mil pessoas se aposentaram, sendo 12 mil na área de educação. E todo trabalho de recomposição foi feito com responsabilidade fiscal, pois o gasto de pessoal se manteve estável em 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Para dar continuidade, um dos passos é aprimorar o trabalho (que já é feito) de dimensionamento da força de trabalho (DFT) para ter noção cada vez mais acurada da real necessidade de quais e quantos profissionais os órgãos necessitam.

Isso é especialmente importante em função da introdução de novas tecnologias e da Inteligência Artificial (IA), que demandam um novo perfil profissional. O segundo passo é dar continuidade ao modelo de seleção centralizada do Concurso Público Nacional Unificado, que deve ser feito periodicamente, garantindo a reposição da força de trabalho, sem quebras geracionais.

O terceiro elemento é seguir investindo em carreiras de caráter transversal, isto é, que podem atuar em mais de um órgão ou ministério, sendo realocadas conforme as prioridades políticas e eventuais contingências demandem". Flávio Bolsonaro (PL) "Os concursos públicos federais serão mantidos e realizados de acordo com as necessidades e demandas para aperfeiçoar o atendimento à população, sempre priorizando a eficiência dos serviços prestados.

Durante o período de transição e, ao longo do governo, serão realizadas análises sobre quantidade de vagas em diferentes setores, com base em estudos técnicos e a modernização da administração pública".