Jani, Ronaldo e Maria Luiza trabalham no Alecrim Victor Eduardo/Inter TV "Se não tem no Google, tem no Alecrim". Essa afirmação virou um lema do bairro Alecrim, na Zona Leste de Natal, nos últimos anos. A frase reitera a variedade de produtos no bairro - um dos principais centros comerciais da capital potiguar - mesmo em meio à era digital e de vendas on-line.
Nesta sexta-feira (23), o Alecrim completa 115 anos e mantém a fama de ter todo e qualquer produto que o cliente procura. E os trabalhadores do bairro garantem que isso é verdade. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp "No Alecrim tudo tem, viu?
O que você não encontrar no Google, uma frase certa que já foi dita, você encontra aqui no Alecrim", garante a comerciante Jani Rocha, que há 25 anos trabalha no bairro. "É assim mesmo, verdadeiramente é assim. Você chega hoje atrás de um produto, aí eu digo para o meu fornecedor que está tendo muita procura disso e, de imediato, já se fabrica e já chega"".
Agora no g1 📊 Segundo dados da Associação dos Empresários do Bairro Alecrim (AEBA) divulgados em junho deste ano, o Alecrim conta com 6.055 empresas ativas, tendo aumentado mais de 10% ao ano desde 2022. 📊 A estimativa da AEBA é que mais de 100 mil pessoas circulem diariamente pelas ruas do bairro, sendo mais de 3 milhões por mês. O bairro conta com shoppings, supermercados, mercado público, bancos, cartórios, órgãos públicos e lojas de diversos segmentos - algumas com décadas de funcionamento.
E um dos principais atrativos comerciais é o camelódromo. Jani Rocha, que trabalha como camelô no bairro há 25 anos, diz que o trabalho e o bairro foram responsáveis por lhe garantir o sustento e diversas amizades cultivadas ao longo dos anos. "Eu digo que o Alecrim é minha casa, é o meu lar.
Transformei o Alecrim no meu lar, por isso que eu cuido", disse. ➡️ Há um projeto de revitalização do camelódromo - que já chegou a ser discutido em audiência pública - que ainda não saiu do papel. Mudança ao longo dos anos O comerciante Ronaldo Tavares, de 70 anos, conta que chegou ao Alecrim aos 8 anos de idade e há mais de cinco décadas trabalha no bairro.
Ele recorda como o bairro foi tomando o aspecto de centro comercial importante da capital potiguar ao longo dos anos. Onde ele morava, conta, eram poucas casas e nada de asfalto. "Eram casas de taipa, vilas.
Tinham 23 casas, 12 de um lado e 11 do outro. E a gente jogava bola aqui, era só areia. Loja praticamente não tinha nada", contou.
Ronaldo Tavares, de 70 anos, mora desde os 8 anos no Alecrim Victor Eduardo/Inter TV 🌿 De acordo com o historiador Henrique Lucena, o Alecrim foi formado no século 19, sendo povoado principalmente por uma população que fugia da seca para Natal. Lucena explicou que o nome dado à localidade ocorreu em referência ao Cemitério do Alecrim, que é mais antigo do que o próprio bairro. "O nome do bairro advém do próprio cemitério, que é mais antigo do que o próprio bairro.
Alecrim, aquela erva que a gente coloca na carne, ela também servia como uma forma de apaziguamento dos espíritos. E por causa disso, tinha -se a crença e a religiosidade de se plantar o alecrim sobre os túmulos", explicou. O Alecrim também registrou, na década de 1940, a construção da Vila Naval, em um projeto ligado à expansão da Marinha do Brasil na capital.
Outro símbolo importante do bairro é a Praça Gentil Ferreira - também chamada de Praça do Relógio. Atualmente, a praça segue como ponto de encontro e ainda é palco de projetos como o Samba de Arruar. As ruas do bairro também são bastante lembradas por terem, além dos nomes, uma referência de números (Avenida Dois, Avenida Dez...).
O historiador contou que essa foi uma definição dada pelo segundo prefeito de Natal, Omar O'Grady. Comércio se tornou a alma do bairro A empresária Maria Luiza dos Santos chegou ao bairro com 14 anos, em 1994, e começou trabalhando na feira livre. Ela passou ainda pelo camelódromo até abrir a própria loja, uma ótica.
"Além de ser um bairro bastante movimentado, é um bairro central, muito conhecido e não só absorve pessoas da própria Natal, como de todo o Rio Grande do Norte", disse. Para Maria Luiza, ser empreendedor "é um ato de fé". "Muitas vezes a empreendedora sai de casa e não marcou nada.
Abre as portas e vem com aquela fé que vai aparecer o cliente", destacou. Maria Luiza dos Santos trabalhou em várias funções no Alecrim Victor Eduardo/Inter TV Cabugi Comerciantes cobram melhorias O amor pelo bairro, no entanto, não faz os comerciantes fecharem os olhos para os problemas. Eles reclamam de pontos como falta de segurança, desorganização e ausência de estacionamento para clientes.
"Deveria haver uma reorganização do bairro, ter possibilidade de estacionamento. Acho que isso realmente tira um pouco do comércio aqui. Eu tenho sentido que realmente houve uma queda no movimento, tanto de pessoas, como na próprio economia", falou a empresária Maria Luiza.
A comerciante Jani Rocha diz que o bairro precisa de atenção das autoridades para ficar "mais bonito e mais forte". Ela cita ainda falta de limpeza. Comércio no bairro Alecrim, em Natal Augusto César Gomes/g1 "Precisa muito de mais segurança, mais cuidado e mais conscientização das autoridades com as pessoas, para que mantenham a higiene, mantenham a limpeza.
O cliente sente muito necessidade disso", falou. "A gente por conta própria que sai limpando e não dá conta, porque o Alecrim é imenso", completou. Para Maria Luiza Santos, apesar dos problemas, o Alecrim tem tradições que mantêm a clientela ativa no bairro.
"A feira livre já é tradição, e os próprios camelódromos. Esse comércio popular que tem aqui bem no meio da Avenida 2, também eu acredito que atrai bastante as pessoas", falou. Bairro vai além do centro comercial Além da praça, o bairro viu surgir nos seus limites geográficos o Alecrim Futebol Clube, terceiro maior campeão potiguar da história, com 7 títulos estaduais - atrás apenas de ABC e América.
O clube - também apelidado de Verdão ou Periquito - foi fundado em 15 de agosto de 1915 e recebeu esse nome em homenagem ao bairro onde estava localizado. "Um dos mais tradicionais também da cidade, todo com origem orientação identitária do bairro", falou o historiador Henrique Lucena.
Outro motivo de orgulho no bairro é o Teatro Sandoval Wanderley, conhecido como Teatrinho do Povo, que serviu como uma alternativa mais popular e destinada principalmente à classe trabalhadora na comparação com o Teatro Alberto Maranhão, que era tido como um teatro que servia apenas a elite nas décadas de 1960 e 1970. O teatro ficou mais de 15 anos fechado e retornou às atividades no ano passado, após uma reforma estrutural.
Jani Rocha trabalha no Alecrim há mais de 25 anos Victor Eduardo/Inter TV Vídeos mais assistidos do g1 RN
