Eleitores denunciam mulher fazendo saudação nazista após votar no Rio “Eu não vou te falar medo, porque eu não tenho medo dessa gente, mas senti realmente um enjoo, um nojo.” Foi assim que Ian Andrade, que é judeu, descreveu a reação ao presenciar uma mulher fazendo uma saudação nazista após votar em uma zona eleitoral no Rio, neste domingo (25). Houve uma discussão, e parte foi gravada (veja acima) por Ian. O caso ocorreu no fim da manhã no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, e foi registrado na 10ª DP (Botafogo).

Ao gravar a cena, Ian Andrade questionou a mulher sobre o gesto. Segundo ele, uma amiga havia contado que a eleitora fizera a saudação na entrada do local. Como não presenciou o primeiro episódio, ele decidiu esperar a mulher sair para verificar o que havia acontecido.

“Tenho 31 anos e nunca vivenciei isso na minha vida como judeu”, afirmou. O episódio, segundo ele, provocou indignação também entre outras pessoas que estavam no local. Parte delas observou a discussão, enquanto outras pegaram os celulares para filmar.

Ian contou que estava usando uma camiseta branca, sem adesivos ou referências políticas, e que seguiria para um almoço de aniversário na casa da avó. Ele também afirmou que não percebeu nenhuma explicação da mulher para o gesto. Eleitores denunciam mulher fazendo saudação nazista após votar no Rio Reprodução Registro na delegacia De acordo com o entrevistado, um policial militar estava no local e presenciou a situação, mas não interveio.

Ele acredita que o agente não tenha reconhecido a gravidade do gesto. Depois que a mulher deixou a zona eleitoral, caminhando em direção à Rua Dona Mariana, o homem conversou com outras pessoas e decidiu registrar uma ocorrência na delegacia. Ian explicou que anexou o vídeo ao registro.

Após a divulgação das imagens, ele disse ter recebido mensagens de apoio de amigos e de integrantes da comunidade judaica. O homem espera que a mulher seja responsabilizada e que o caso sirva de alerta contra manifestações de ódio. “Eu acho que precisa servir de exemplo, que as pessoas entendam que esse tipo de coisa não dá para a pessoa achar que vai fazer isso na rua e vai sair impune”, afirmou.

AO VIVO: acompanhe o 2° turno das eleições Não se sabe como o bate-boca começou. O vídeo mostra a mulher cruzando o pátio da escola rumo à saída fazendo o gesto historicamente associado ao regime de Adolf Hitler — caracterizado por erguer o braço direito estendido para a frente e ligeiramente para cima, com a mão aberta e os dedos unidos.

✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp A eleitora vestia uma camisa amarela da Seleção e um boné do "Maga", movimento de apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Maga" é uma sigla que remete à máxima “Make America Great Again”, ou “torne os Estados Unidos grandes novamente”, em tradução livre, um slogan popularizado na campanha presidencial de 2016. Ela não tinha sido identificada até a última atualização desta reportagem.

Em nota, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ) manifestou repúdio ao episódio: "Conforme relato recebido pela Federação, acompanhado de registro em vídeo, uma mulher teria realizado reiteradamente a saudação nazista, inclusive após ser questionada por cidadãos que presenciaram a cena. Ao ser informada de que um dos presentes era judeu, teria respondido: 'Pior ainda'.

Trata-se de uma manifestação absolutamente inaceitável, que ultrapassa os limites da liberdade de expressão e afronta os valores democráticos, a dignidade humana e a memória das milhões de vítimas do nazismo. É especialmente grave que um episódio dessa natureza ocorra durante o exercício do voto, um dos símbolos mais importantes da democracia brasileira.

A FIERJ informa que o caso foi levado ao conhecimento das autoridades policiais e acompanhará sua apuração, cobrando a identificação dos responsáveis e a adoção das medidas legais cabíveis", diz a nota. Contexto histórico Depois que os nazistas chegaram ao poder, em 1933, a saudação passou a ser amplamente utilizada na Alemanha, inclusive em cerimônias oficiais e situações cotidianas. Geralmente era acompanhada da expressão “Heil Hitler”, ou “Salve Hitler”, em tradução livre.

O gesto se tornou um dos símbolos do regime nazista, responsável pelo Holocausto, o assassinato sistemático de cerca de 6 milhões de judeus, além da perseguição e morte de milhões de outras pessoas, durante o período em que Hitler esteve no poder, de 1933 a 1945. Saiba também: Votação no exterior: veja onde Lula e Flávio venceram no segundo turno Que horas o TSE anuncia o resultado do segundo turno? Até que horas é possível votar no segundo turno?