Operação prende delegado e agentes da Polícia Civil em João Pessoa A 5ª Vara Criminal de João Pessoa determinou a soltura do delegado Braz Morroni, investigado por envolvimento em um esquema de desvio de drogas na corporação. A decisão foi proferida nesta sexta-feira (25), mas o delegado permanece preso porque responde a outro processo em que há uma prisão preventiva em vigor.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp O g1 teve acesso à decisão, que rejeitou um pedido do Ministério Público da Paraíba (MPPB) para converter a prisão temporária em preventiva em uma das ações criminais contra Morroni. Com isso, a Justiça revogou a prisão nesse processo e expediu um mandado de soltura, válido apenas se não houvesse outro motivo para a manutenção da custódia. Ao todo, o delegado responde a quatro processos na Justiça da Paraíba.

Um deles tramita na Vara Militar e de Crimes Envolvendo Organização Criminosa da Capital e mantém uma prisão preventiva, razão pela qual ele segue detido no Presídio Especial do Valentina de Figueiredo. Procurada pelo g1, a defesa de Braz Morroni informou que concorda com a decisão da 5ª Vara Criminal e espera que o mesmo entendimento seja aplicado ao processo em que a prisão preventiva permanece válida. Segundo os advogados, uma nota oficial será divulgada.

Delegado Braz Morroni Reprodução / TV Cabo Branco Ação anterior do Ministério Público O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge. A ação, que se tornou pública nesta segunda-feira em agosto, que busca responsabilizar os servidores na esfera cível. Os três estão presos por envolvimento em um esquema de desvio de drogas.

O órgão requer, em caráter liminar, o afastamento imediato deles das funções públicas e o bloqueio de bens para garantir o ressarcimento aos cofres públicos. O processo é um desdobramento de investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), iniciadas a partir de uma denúncia anônima.

Os investigados Everton Rychelyson da Silva Aires, Eduardo Jorge Ferreira do Egito e o delegado Braz Marroni de Paiva Júnior eram lotados na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio. Segundo o MPPB, o delegado e os agentes usavam a condição de policiais para se apropriar de entorpecentes apreendidos e subtrair drogas de terceiros. Eles simulavam ações policiais para depois revender o material de forma ilícita.

Com o esquema, o grupo teria obtido vantagens econômicas para si e para uma organização criminosa com a qual mantinha vínculo. De acordo com a ação, os fatos ocorreram entre os anos de 2024 e 2026. Para o Ministério Público, o afastamento imediato dos servidores é indispensável para assegurar o andamento do processo e prevenir a prática de novos crimes.

Outras denúncias Everton Aires (Bomba), Eduardo Jorge (Mão Branca) e Braz Morrone Reprodução/TV Cabo Branco O MP já havia denunciado o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito por crimes relacionados ao desvio de drogas. Conforme o órgão, as denúncias anteriores foram por desvios de drogas e estão atreladas à invasão de residências, separadamente.

Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os três devem responder por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. Além da condenação criminal, na primeira denúncia, o órgão pediu à Justiça a perda dos cargos públicos dos três denunciados, a conversão da prisão temporária em preventiva e o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.

De acordo com o Ministério Público, os investigados recebiam informações sobre locais usados para armazenar drogas, realizavam incursões nos imóveis para desviar os entorpecentes e, em seguida, registravam oficialmente apenas uma pequena parte do material apreendido.

Para sustentar a acusação, o MPPB informa que reuniu provas obtidas por análise de celulares, dados de geolocalização da viatura utilizada na ação, quebra de sigilos telemático, bancário e fiscal, monitoramento dos investigados, além de documentos e depoimentos. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba