Geovanni Gonzaga foi atropelado por carro em Boa Vista (RR). Reprodução/Instagram A Polícia Civil (PC) de Roraima concluiu o inquérito policial sobre o atropelamento do corredor de rua PCD Geovanni Gameiro Gonzaga da Silva, de 43 anos. O motorista Mayron da Silva Soares, de 28 anos, foi indiciado formalmente por homicídio com dolo eventual (que é quando a pessoa assume o risco de matar).

Além do homicídio, o condutor foi indiciado por mais dois crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Ele vai responder por dirigir sob efeito de álcool e por fugir do local do acidente para tentar escapar de responsabilidades civis e penais. A investigação foi finalizada pela Delegacia de Acidente de Trânsito (DAT).

O delegado responsável pelo caso, Luciano Silvestre, explicou que o indiciamento por dolo eventual ocorreu porque, ao dirigir embriagado e causar o atropelamento, o motorista assumiu o risco de matar Geovanni, mesmo sem a intenção direta. Com a conclusão do trabalho policial, o inquérito com todas as provas e laudos foi enviado ao Ministério Público (MP) de Roraima e ao Poder Judiciário. Agora, cabe ao MP apresentar a denúncia formal contra o motorista à Justiça.

Leia mais: Corredor de rua PCD é atropelado e motorista é preso em flagrante em Boa Vista Motorista que atropelou e matou corredor de rua PCD deve responder por homicídio Família de corredor de rua PCD morto após ser atropelado em Roraima faz homenagem Relembre o caso O atropelamento aconteceu no início da manhã do dia 2 de outubro, na avenida Ville Roy, no bairro Caçari.

Geovanni aquecia para iniciar mais um treino de corrida, quando foi atingido por um carro sedã azul e arremessado contra outro veículo estacionado. O condutor fugiu sem prestar socorro. No entanto, o motorista foi encontrado pouco tempo depois pela Polícia Militar, dormindo ao volante do próprio carro em um loteamento próximo da região.

Na abordagem, ele confessou aos policiais que consumia bebidas alcoólicas desde as 18h do dia anterior. Geovanni sofreu traumatismo craniano grave e foi levado ao Hospital Geral de Roraima (HGR). O atleta não resistiu aos ferimentos e teve a morte encefálica confirmada na noite de 3 de outubro.

Mayron teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e continua preso. Referência no esporte e na família Geovanni Gonzaga era o mais velho de quatro irmãos e trabalhava como secretário em uma escola municipal. Ele passou por uma cirurgia para melhorar a dicção e realizou o sonho de concluir o curso superior em Ciências Contábeis.

O atleta perdeu a audição aos 5 anos de idade, após contrair uma gripe forte. Apesar disso, ele se tornou um surdo oralizado, o que significa que conseguia se comunicar por meio da fala. No esporte, o corredor era visto como um líder dentro de casa.

Segundo a mãe dele, Zenaide Gameiro, Geovanni puxava os parentes para a atividade física e costumava treinar acompanhado do irmão caçula. Após a perda, a família tem cobrado mais rigor no cumprimento das leis de trânsito em Boa Vista. O objetivo dos parentes é conscientizar os motoristas para proteger pedestres e atletas da capital, evitando que Geovanni se torne "apenas uma estatística".

Veja reportagem com família de Geovanni Mãe de corredor PCD morto após ser atropelado em Roraima faz homenagem Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.