Imagens de drone mostram Manaus encoberta por fumaça nesta quarta-feira (23) A fumaça que encobriu Manaus nesta quarta-feira (23) está relacionada à concentração de queimadas no entorno da capital e em outras áreas da Amazônia. A informação foi divulgada durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), em Manaus.

Órgãos do Governo do Amazonas se reuniram após os níveis de poluição do ar ultrapassarem a faixa máxima de referência da escala do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). Segundo os órgãos, as altas temperaturas, a baixa umidade do ar e as condições atmosféricas também favorecem o acúmulo de partículas na região. Na terça-feira (22), Manaus registrou 38,6°C, a maior temperatura do ano.

📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo a Prefeitura de Manaus, a fumaça é proveniente de áreas de queimadas em diversas regiões da Amazônia, principalmente nos municípios da Região Metropolitana de Manaus e do leste do Amazonas. O Ministério Público do Amazonas (MPAM), que monitora focos de incêndio por meio de dados de satélite, informou que, entre terça (22) e quarta-feira (23), os focos estavam concentrados principalmente no entorno de Manaus, no Baixo Amazonas e no estado do Pará.

Segundo o órgão, os ventos podem transportar a fumaça dessas áreas para o Amazonas. Queimadas têm origem humana, segundo Bombeiros O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas afirmou que as altas temperaturas e a baixa umidade favorecem a ocorrência e a propagação dos incêndios. Segundo a corporação, as análises e a experiência das equipes indicam que quase a totalidade dos incêndios tem origem humana.

"As nossas análises, a nossa experiência, elas apontam que quase que a totalidade desses incêndios tem origem humana”, afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros, Orleilso Muniz. Entre as situações citadas estão queimadas para limpeza de áreas, descarte de bitucas de cigarro e pequenas fogueiras que acabam saindo de controle. Na terça-feira (22), uma equipe dos bombeiros foi deslocada cinco vezes para combater incêndios na região do V-8, em Manaus.

Segundo o órgão, novos focos surgiam nas proximidades após os incêndios serem controlados. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) também relacionou a fumaça à concentração de queimadas na Região Metropolitana. O órgão informou que o decreto que proíbe o uso do fogo no estado está vigente desde 9 de setembro, quando foi registrada a primeira "onda" de fumaça deste mês na capital.

Calor favorece concentração da fumaça Além das queimadas, as condições meteorológicas contribuem para a concentração da fumaça. Segundo o Corpo de Bombeiros, o calor registrado em Manaus na terça-feira (22) contribuiu para a formação de zonas de baixa pressão no aglomerado urbano.

"Todo o material particular que é produzido aqui no entorno de Manaus, na região metropolitana, região de Autazes, Novo Airão, Caapiranga e até mesmo aqui na região de Itacoatiara e Rio Preto da Eva, eles tendem a acumular-se próximo da zona de baixa pressão", explicou o representante da corporação. Segundo ele, esse processo contribuiu para o acúmulo de partículas observado na capital. Focos se concentram na Região Metropolitana Bombeiros e moradores se unem para apagar incêndio em Manaus.

Andressa Libório/Rede Amazônica O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) iniciou uma operação para reforçar a fiscalização na Região Metropolitana de Manaus, que reúne 13 municípios. A operação foi dividida em três eixos: Eixo 1: Iranduba, Manacapuru, Novo Airão e Manaus; Eixo 2: Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo, Silves, Itapiranga e Itacoatiara; Eixo 3: Careiro da Várzea, Careiro, Manaquiri e Autazes.

A ação conta com a Polícia Ambiental e utiliza drones para acompanhar focos de calor e orientar o deslocamento das equipes. A Polícia Militar também atua na região por meio da Operação Alerta-Fogo. Segundo a corporação, alertas georreferenciados de focos de incêndio são encaminhados às equipes para verificar possíveis irregularidades.

Calor, fumaça e estiagem: o que fazer para proteger crianças em Manaus Calor extremo e seca: Amazonas pode enfrentar trimestre com calor extremo e menos chuva Enquanto Sul enfrenta frio, Norte inicia período mais quente do ano; entenda fenômeno Incêndios também aumentaram em outras áreas O Ministério Público informou que o monitoramento por satélite mostrou uma mudança na concentração dos incêndios.

Na semana passada, os focos estavam mais concentrados no sul do Amazonas, principalmente nas regiões de Apuí, Humaitá e Boca do Acre. Entre terça (22) e quarta-feira (23), porém, os incêndios estavam mais concentrados no entorno de Manaus, no Baixo Amazonas e no Pará. O MPAM também destacou que os ventos podem transportar a fumaça de outras regiões para o Amazonas.

Número de incêndios aumenta O Corpo de Bombeiros informou que o número de incêndios aumentou de forma significativa em setembro. Segundo a corporação, houve aumento de mais de 300% no número de incêndios em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o crescimento informado é superior a 130%.

Quase mil servidores estão distribuídos atualmente em diferentes municípios do Amazonas para atuar no combate aos incêndios. O número de quartéis fixos do Corpo de Bombeiros no estado também passou de 11 para 25 desde maio do ano passado. A corporação informou que planeja instalar mais sete unidades no interior.

Uso do fogo é proibido A Sema informou que está vigente o decreto que proíbe o uso do fogo no Amazonas por 120 dias. A medida impede queimadas para limpeza, renovação e manejo de áreas e eliminação de resíduos de vegetação. O órgão afirmou que continua monitorando a situação em conjunto com o Ipaam.

A Polícia Militar orienta que focos de incêndio ou situações suspeitas sejam denunciados pelo telefone 190, pelo Disque-Denúncia 181 ou diretamente ao Comando de Policiamento Ambiental, pelo número (92) 98842-1553. Fumaça na Zona Sul de Manaus, no dia 19 de setembro de 2026. Arquivo/Rede Amazônica