Atendimentos reais supervisionados aproximam estudantes do cotidiano da profissão / Divulgação Afya Garanhuns.

Formar médicos preparados para os diferentes desafios da profissão exige mais do que o domínio do conhecimento técnico e teórico. Ao longo da graduação, o aprendizado precisa ser progressivamente associado a experiências que permitam ao estudante compreender, na prática, a complexidade dos serviços de saúde e as diferentes realidade encontradas nos cuidados aos pacientes.

Nesse processo, hospitais, Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios e outros espaços de atendimento se tornam parte fundamental da preparação para a futura profissão. A prática permite que conteúdos científicos deixem de estar restritos aos livros e às aulas expositivas para ganhar novos significados diante de situações concretas.

Mais do que aprender procedimentos, o estudante passa a compreender o funcionamento dos serviços de saúde, a importância da comunicação com pacientes e familiares, o trabalho em equipe e os diferentes fatores que podem influenciar o cuidado de cada pessoa. Em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, a Afya utiliza diferentes cenários de aprendizagem para aproximar os estudantes da realidade que poderão encontrar no exercício da Medicina.

A formação reúne atividades desenvolvidas na própria instituição, experiências na Clínica Acadêmica (ambulatório escola) e inserção progressiva na rede de saúde do município e da região. Segundo o coordenador do curso de Medicina da Afya Garanhuns, Almir Penaforte Júnior, essa aproximação entre teoria e prática é fundamental para a construção gradual da experiência profissional.

“A formação médica pede que o estudante consiga relacionar o conhecimento construído ao longo do curso com as situações que vai encontrar no dia a dia. Quando ele vivencia diferentes cenários de saúde, passa a compreender não apenas a parte técnica da Medicina, mas também a realidade dos pacientes, o funcionamento dos serviços e a importância do trabalho integrado entre diferentes profissionais.” Aprender em diferentes cenários A experiência prática na formação médica não se resume a um único ambiente.

Cada cenário apresenta desafios e possibilidades de aprendizado diferentes. Nas Unidades Básicas de Saúde, por exemplo, os estudantes têm a oportunidade de conhecer mais de perto a Atenção Primária e compreender a importância da prevenção, do acompanhamento contínuo dos pacientes e da relação entre as condições de vida e a saúde da população. É uma vivência que ajuda a ampliar a percepção sobre a Medicina para além do tratamento de doenças já instaladas.

Já hospitais e serviços de urgência apresentam outras dinâmicas. Nesses espaços, os futuros médicos entram em contato, dentro dos limites de cada etapa da formação e sob supervisão, com situações que exigem observação, raciocínio clínico e compreensão do trabalho desenvolvido pelas equipes de saúde. A diversidade de experiências permite que o estudante perceba que o paciente real não chega ao serviço de saúde com uma história previamente organizada, como ocorre nos exemplos apresentados em livros e estudos de caso.

Cada atendimento envolve características clínicas, sociais e familiares que também precisam ser consideradas durante o cuidado. “A inserção dos nossos estudantes na rede de saúde da região é importante porque aproxima a formação das necessidades reais da população. Eles conhecem diferentes contextos de atendimento e começam a construir uma compreensão mais ampla sobre os desafios que fazem parte do cuidado em saúde”, afirma Almir Penaforte Júnior.

Da simulação ao contato com pacientes A formação médica também envolve atividades práticas dentro da própria instituição. A Afya Garanhuns conta com laboratórios e um Centro de Simulação Realística e Habilidades, que permitem aos estudantes desenvolver competências e discutir situações clínicas em um ambiente controlado. Outro espaço que integra essa formação é o Ambulatório Escola da instituição, que possui 39 consultórios médicos.

O local funciona como uma ponte entre o ambiente acadêmico e a realidade da assistência, permitindo experiências clínicas desenvolvidas de forma progressiva e supervisionada. Nesses diferentes ambientes, a prática não significa simplesmente “aprender fazendo”. O processo envolve observação, estudo, discussão de casos, orientação dos professores e desenvolvimento de competências necessárias para a atuação profissional.

A rede de saúde como extensão da formação Essa integração se intensifica nos anos finais da graduação. Recentemente, a Afya Garanhuns iniciou a primeira turma de internato do curso de Medicina, formada por 117 estudantes, que passam a vivenciar essa etapa da formação de forma integral na região. Os alunos passam por diferentes áreas e cenários de assistência, incluindo Atenção Primária, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Clínica Médica, Cirurgia Geral, Urgência e Emergência e Psiquiatria.

A formação envolve experiências em serviços públicos, filantrópicos e privados da região, como Unidades Básicas de Saúde, CAPS, SAMU, UPA Garanhuns e hospitais locais. A proposta de realizar essa etapa da formação no próprio território também aproxima os futuros médicos das características e das demandas da população que vive na região.

Ao longo desse processo, os estudantes conhecem a estrutura dos serviços, acompanham diferentes realidades de atendimento e constroem uma compreensão mais concreta sobre os desafios da assistência à saúde no interior. Para Almir Penaforte Júnior, essa conexão entre formação e território amplia a experiência dos estudantes. “Quando a rede de saúde se torna também um espaço de aprendizagem, o estudante passa a enxergar a profissão de maneira mais ampla.

Ele entende que o conhecimento técnico é essencial, mas que cuidar de pessoas também exige compreender os contextos em que elas vivem e a forma como os diferentes serviços se relacionam.” A experiência prática, portanto, complementa o conhecimento científico construído durante a graduação e ajuda a preparar o estudante para as diferentes situações que encontrará no exercício da profissão.

Antes de assumir integralmente as responsabilidades da Medicina, o futuro médico precisa conhecer, de forma progressiva e supervisionada, diferentes realidades de atendimento. É na conexão entre sala de aula, ambientes de simulação, ambulatórios, hospitais e serviços de saúde que a formação ganha experiência prática e se conecta, desde a graduação, às necessidades do território onde esses futuros profissionais poderão atuar.