ONU condena uso de armas com Inteligência Artificial A ONU fez um apelo nesta terça-feira (25) para que países em guerra não usem armas guiadas por inteligência artificial. O alerta acontece depois que a Ucrânia acusou a Rússia de matar civis com um drone guiado por IA. “Estamos perigosamente perto de cruzar uma linha vermelha moral: que humanos virem alvo de máquinas autônomas”.

📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No comunicado lido por uma porta-voz, o secretário da Organização das Nações Unidas, António Guterres, fez esse apelo, em uma reunião com a Cruz Vermelha contra o uso das chamadas armas autônomas, que são controladas por inteligência artificial, sem interferência humana. O alerta surgiu depois que o jornal “The New York Times” confirmou que três civis morreram em um ataque de drone russo no dia 6 de junho, em Zaporíjia, na Ucrânia.

Foi em um posto de gasolina. De acordo com militares da Ucrânia, um sistema de inteligência artificial que ainda está em teste escolheu o alvo do ataque por conta própria. Nos restos do aparelho, os ucranianos encontraram um minicomputador da empresa americana Nvidia, líder mundial em chips para inteligência artificial.

Na guerra, esses chips permitem que o sistema seja treinado para reconhecer de forma autônoma imagens de possíveis alvos. A Nvidia declarou que produz o chip comercialmente para usos benéficos e que ele não é vendido na Rússia. Rússia e Ucrânia estão usando drones desde o início da guerra e eles já mataram milhares de pessoas ao longo dos últimos quatro anos.

Mas, até agora, a inteligência artificial só controlava os aparelhos na fase final do ataque, depois que um controlador humano determinava onde atacar: são as armas semiautônomas. A partir de agora, pode começar uma etapa perigosa da utilização da tecnologia em conflitos em todo o mundo: quando robôs escolhem os alvos por conta própria, sem levar em consideração, por exemplo, o direito internacional. Assim, a inteligência artificial pode decidir atacar um local com a presença de civis, como aconteceu em Zaporíjia.

E, em casos como esse, uma pergunta ainda não tem resposta: quem vai se responsabilizar por essas mortes? A chefe do serviço de desarmamento das Nações Unidas, Carolyne Melanie, afirmou que a comunidade internacional não pode simplesmente ficar esperando acontecer uma atrocidade: “Algumas decisões devem permanecer para sempre com seres humanos. Especialmente a de acabar ou não com uma vida”.

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