Ex-dirigente da Fazenda é preso em Piracicaba por esquema com créditos de ICMS O ex-diretor-geral da Secretaria Estadual da Fazenda, André Weiss, foi preso na manhã desta quinta-feira (3), em Piracicaba (SP). A prisão ocorreu em um condomínio de luxo e é resultado de uma megaoperação realizada pelo Ministério Público estadual, que investiga um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e a devolução de créditos Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na Secretaria da Fazenda (saiba mais abaixo).

Segundo o policiais do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (10º BAEP), que deram apoio à operação do MP, Weiss foi encaminhado ao 1° Distrito Policial de Piracicaba, juntamente com uma arma de fogo, 65 munições e três carregadores encontradas com ele. Weiss ocupou um cargo de alta cúpula na secretaria até maio deste ano.

Clique para o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Ainda em Piracicaba, agentes do MP apreenderam computadores, pastas com documentos, um celular e dinheiro em espécie, incluindo mais de 1.400 euros e 800 dólares. Ao todo, a Justiça emitiu 47 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, cumpridos na capital paulista, na Grande São Paulo, no interior e no Mato Grosso do Sul. O segundo alvo de prisão é apontado como o líder do esquema na iniciativa privada.

Além disso, seis agentes públicos foram afastados, tiveram os passaportes retidos e estão proibidos de sair do país.

André Weiss era ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP) Reprodução/TV Globo Entenda o esquema A investigação, baseada em delação premiada, gravações, quebra de sigilos bancários e dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelou que o grupo era dividido em dois núcleos: Iniciativa privada: buscava grandes empresas contribuintes para negociar facilidades na liberação dos créditos do ICMS.

Agentes públicos: recebiam parte do dinheiro arrecadado como propina para dar um jeito de acelerar a liberação dos valores da restituição do ICMS no órgão estadual. O Ministério Público aponta que a propina cobrada chegava a 10% do valor do crédito de ICMS a ser pago às empresas. Para dimensionar o tamanho do esquema, um dos investigados confessou ter recebido mais de R$ 13,6 milhões em propina nos últimos quatro anos.

Polícia durante prisão de André Weiss em condomínio de luxo em Piracicaba Baep Resposta da secretaria Em nota, a Secretaria Estadual da Fazenda afirmou que colabora com as investigações desde uma operação realizada no ano passado sobre o mesmo assunto. Segundo a pasta, as ações resultaram na demissão de cinco pessoas envolvidas, uma exoneração e o afastamento de 17 servidores públicos sem o pagamento de salários. A secretaria destacou ainda que as empresas envolvidas no esquema estão sendo responsabilizadas.

Esse processo de responsabilização já gerou a cobrança de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros. Veja mais notícias sobre a região em g1 Piracicaba