Vice-prefeito de Itaúna Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto é investigado em esquema bilionário de corrupção no setor de mineração em MG Reprodução/Instagram O vice-prefeito de Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto, continua recebendo salário pelo cargo, mesmo sem exercer atividades presenciais na Prefeitura desde 15 de setembro de 2025. Atualmente, ele recebe R$ 11.258,21 por mês, segundo a folha de pagamento disponível no Portal da Transparência.
O g1 tenta localizar a defesa de Hidelbrando. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp A situação ocorre após uma série de decisões administrativas e judiciais envolvendo o mandato do político. Hidelbrando deixou de comparecer à Prefeitura em setembro de 2025, período em que se tornou alvo da operação Rejeito, da Polícia Federal, que investiga um esquema de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais.
Agora no g1 Em outubro de 2025, diante da ausência, a Prefeitura de Itaúna anunciou a suspensão do pagamento do subsídio do vice-prefeito. Segundo o Executivo, Hidelbrando estava ausente desde 15 de setembro e não havia comunicado oficialmente uma previsão de retorno. A suspensão passou a valer em 1º de outubro.
À época, a Prefeitura informou que a medida tinha caráter preventivo e cautelar. Segundo o Executivo, o pagamento de agentes políticos pressupunha o efetivo exercício das funções públicas. Mandato foi declarado extinto A situação se agravou nos meses seguintes.
Em janeiro de 2026, a Câmara de Itaúna declarou a vacância do cargo de vice-prefeito. A decisão levou em consideração, entre outros pontos, a ausência de Hidelbrando do país por período superior a 15 dias sem autorização legislativa. A defesa do político recorreu à Justiça e, inicialmente, teve um pedido de liminar negado pela 2ª Vara Cível de Itaúna.
Em abril, porém, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou, em decisão liminar, a recondução de Hidelbrando ao cargo. A desembargadora Maria Cristina Cunha Carvalhais entendeu que a declaração de vacância ocorreu sem a abertura de um processo administrativo que garantisse ao político o direito ao contraditório e à ampla defesa.
A decisão também considerou que a ausência de Hidelbrando não poderia ser caracterizada, naquele momento, como abandono voluntário do cargo, já que ele estava submetido a uma determinação judicial. Com a liminar, foram restabelecidos os direitos relacionados ao mandato. A decisão é provisória e ainda depende de julgamento definitivo.
Quanto ele recebe Após a recondução ao cargo, Hidelbrando voltou a figurar na estrutura administrativa como vice-prefeito e passou a receber novamente os vencimentos referentes à função. O valor atualmente registrado é de R$ 11.258,21. Apesar de manter o mandato e receber a remuneração, Hidelbrando não exerce atividades presenciais na Prefeitura desde setembro de 2025.
A Prefeitura havia informado anteriormente que a ausência prolongada inviabilizava o exercício regular das funções e que, por isso, o pagamento havia sido suspenso. Alvo da Operação Rejeito Hidelbrando passou a ser investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025. Na época da operação, a PF pediu a prisão preventiva do então vice-prefeito.
Ele estava fora do Brasil e havia viajado para os Estados Unidos pouco antes da deflagração da operação. Segundo a Prefeitura, os fatos investigados não tinham relação com o exercício das funções municipais de Hidelbrando. Na ocasião, ele também foi exonerado do cargo de secretário municipal de Meio Ambiente.
O Executivo ressaltou que se tratava de uma investigação e que não havia condenação definitiva. Hidelbrando retornou ao Brasil em fevereiro de 2026 e passou a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, conforme decisões judiciais relacionadas ao caso. Posteriormente, uma decisão judicial permitiu sua recondução ao cargo de vice-prefeito.
Em manifestação divulgada à época, a defesa de Hidelbrando afirmou que ele retornou espontaneamente ao Brasil e se colocou à disposição da Justiça. Os advogados também disseram que a viagem ao exterior havia sido programada antes da deflagração da operação e que não havia relação com uma tentativa de fuga. A defesa sustentou ainda que os fatos investigados não estavam relacionados à atuação política de Hidelbrando e que a inocência dele será demonstrada no decorrer do processo.
Leia também: Dois são condenados por morte e estupro de jovem de 18 anos Motociclista morre após bater de frente com caminhão na MG-252 Novo indiciamento O nome de Hidelbrando voltou a aparecer nas investigações da Polícia Federal. Ele foi indiciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Intrafortis, investigação que é um desdobramento da Operação Rejeito.
Ao todo, 10 pessoas foram indiciadas nessa etapa, entre elas dois delegados da Polícia Federal, empresários, um ex-deputado estadual e Hidelbrando. Segundo a investigação, o grupo teria atuado em negociações envolvendo direitos minerários, além de supostas práticas de corrupção e lavagem de dinheiro. Os direitos minerários envolvidos nas negociações seriam avaliados em mais de R$ 200 milhões.
A PF reuniu informações obtidas por meio de dados telemáticos, bancários, fiscais, telefônicos e documentos. A investigação aponta ainda que empresas registradas formalmente em nome de terceiros teriam sido utilizadas em negócios relacionados aos direitos minerários. O indiciamento, no entanto, não significa condenação.
Trata-se de uma conclusão da autoridade policial durante a fase de investigação. O caso deverá seguir para análise do Ministério Público Federal, que poderá decidir se oferece ou não denúncia à Justiça. O que diz a Prefeitura A Prefeitura de Itaúna informou, em outubro de 2025, que suspendeu o pagamento de Hidelbrando por causa da ausência prolongada e não comunicada oficialmente à administração.
A decisão foi apresentada como uma medida administrativa preventiva. Após a decisão do TJMG que determinou a recondução, a Prefeitura informou que aguardaria a comunicação formal da Justiça para adotar as providências cabíveis. VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas
