Polícia Civil prende 11 por agiotagem no DF; grupo ameaçava pessoas e cobrava juros altos A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu nesta semana 11 suspeitos de integrar uma organização criminosa de agiotagem. Segundo as investigações, o grupo oferecia empréstimo em dinheiro com juros de até 20% ao mês -- e ameaçava as vítimas de maneira ostensiva para cobrar as dívidas. Pelo menos um dos alvos segue foragido.
Ao todo, 47 mandados judiciais foram cumpridos no Distrito Federal, Tocantins e Goiás: 12 mandados de prisão preventiva; 18 ordens de busca e apreensão; 17 mandados de bloqueio financeiro. Entre os presos está José Luiz Silva Sá, que é sargento reformado da Polícia Militar de Goiás. Segundo a polícia, ele usava armas de fogo para ameaçar os devedores e agia com violência.
Cheques, documentos e computador apreendidos com suspeitos de agiotagem no DF Polícia Civil/Divulgação Áudios mostram intimidação O g1 teve acesso a áudios enviados pelos criminosos que ameaçavam matar quem não pagasse a dívida. Duas mulheres eram responsáveis pelo envio dos áudios No material em posse da polícia, elas falam frases como: "Vou encher a sua cara de bala"; "Hoje, eu só saio daqui com o meu dinheiro"; "Estou te esperando aqui fora”.
Em um vídeo divulgado pela polícia, um dos presos se senta no sofá com muito dinheiro e afirma que levou tudo em um saco. Ele ainda diz no vídeo que o dinheiro entra e sai rápido. “Antigamente, o dinheiro corria atrás de mim, e hoje sou eu que corro atrás do dinheiro.” Ele foi identificado pela polícia como Adailton Fernandes de Oliveira e também foi preso.
Preso em operação no DF mostra 'montanha de dinheiro'; polícia investiga agiotagem Carros, celulares e armas A operação apreendeu oito carros de luxo, celulares, dinheiro, 10 armas de fogo e uma grande quantidade de munição. Segundo os investigadores, a organização criminosa era especializada na concessão de empréstimos com juros abusivos e cobranças diárias, com atuação no Distrito Federal e nos estados de Goiás e Tocantins. Em oito meses, os investigados movimentaram R$ 10 milhões.
Eles usavam contas de familiares e de pessoas jurídicas para tentar fazer a lavagem do dinheiro. ➡️Embora emprestar dinheiro não seja crime, a agiotagem é proibida por lei quando envolve cobrança de juros abusivos, exploração econômica e outras práticas ilegais na concessão e cobrança dos empréstimos. Segundo a polícia, a investigação começou depois que um comerciante da Feira dos Goianos, de Taguatinga, pegou um empréstimo e não conseguia quitar a dívida.
Os parentes dele passaram a receber as cobranças com ligações e violência. Vítimas devem preservar mensagens A orientação da polícia é que as vítimas não apaguem as mensagens de ameaça, pois elas são provas do crime. “A agiotagem se alimenta, muitas vezes, do silêncio e do medo das vítimas.
Por isso, é fundamental que qualquer pessoa submetida a juros abusivos, ameaças ou cobranças intimidatórias procure a Polícia Civil e registre a ocorrência. A vítima não deve apagar mensagens, áudios ou comprovantes de pagamento, pois esses elementos são importantes para a investigação”, afirmou o delegado Rogério Rezende. Os presos são investigados por crime como extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.
Ao fim da apuração, o Ministério Público decidirá quais crimes incluir na denúncia à Justiça. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
