O rei Felipe e a rainha Letizia da Espanha cumprimentam pessoas que chegam para visitar a prefeitura e sede do governo de Ceuta REUTERS/Pedro Nunes Os reis da Espanha foram recebidos com festa por uma multidão em Ceuta nesta terça-feira (13).
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em sua primeira visita ao enclave espanhol no norte da África desde sua ascensão ao trono, em 2014, Felipe VI e Letizia seguiram para a sede do governo da cidade, onde eram aguardados por milhares de moradores com bandeiras da Espanha e gritos de "Eu sou espanhol, espanhol" e "Ceuta unida, jamais será vencida". O casal passará a noite em Ceuta e seguirá para Melilla, o outro enclave espanhol no norte da África, nesta quarta-feira (14).
A visita ocorre em meio a uma grande crise migratória, com milhares de marroquinos que atravessaram a fronteira abrigados em acampamentos temporários. "Estávamos esperando a visita há muito tempo. Significa muito porque é um apoio para que o vizinho ao lado, o Marrocos, não fique sempre com essa intenção de que Ceuta e Melilla são do Marrocos", afirmou à AFP Toñi Jiménez, auxiliar de enfermagem de 56 anos.
Polícia remove último acampamento de imigrantes em praia de Ceuta antes de visita do rei Neste domingo (11), dois dias antes da visita, a polícia da Espanha removeu o último acampamento montado por imigrantes nas praias de Ceuta. Os agentes chegaram à praia de Guano por volta das 7h do horário local e obrigaram os acampados a deixarem suas barracas e se sentarem em grupos. Em seguida, escoltaram todos até um ônibus.
De acordo com a mídia local, o grupo foi levado a um Centro de Assistência Temporária a Estrangeiros (CATE) para identificação e registro. Com a saída de todos, trabalhadores iniciaram uma limpeza, descartando grandes quantidades de tendas improvisadas, colchões e pertences pessoais. Crise migratória em Ceuta O trabalho de retirada começou no mês passado, quando um abrigo temporário, com capacidade para 1.700 imigrantes, foi aberto no porto.
A polícia da Espanha fez a transferência de imigrantes instalados precariamente nas praias de Ceuta para barracas temporárias no alojamento e houve confusão. Imagens exibidas pela emissora estatal espanhola TVE mostraram que a polícia precisou atuar para conter aglomerações de pessoas que queriam garantir um lugar no local.
Os migrantes que passaram a noite na praia à espera de um lugar num abrigo temporário aplaudiram inicialmente o início da marcha, mas mais tarde surgiram confrontos devido à disputa pelas vagas limitadas disponíveis. A polícia disparou balas de borracha para o ar e atingiu vários migrantes com cassetetes antes que a situação se acalmasse e a operação fosse retomada.
Polícia controlando transferência de imigrantes que estavam dormindo nas ruas de Ceuta para alojamento temporário REUTERS/Ana Beltran Os imigrantes que estão sendo acolhidos nas barracas temporárias montadas pelo governo espanhol fazem parte das mais de 70 mil pessoas que chegaram a Ceuta em uma imensa migração em massa no fim de julho. Embora a maioria das pessoas que entrou em Ceuta tenha retornado quase imediatamente ao Marrocos, autoridades locais calculam que 13 mil imigrantes permaneceram em Ceuta.
Imigrantes estão precariamente instalados em barracas nas praias de Ceuta Antonio Sempere / AFP Ceuta, que é um território espanhol no norte africano, tem apenas 18,5 km² e cerca de 80 mil habitantes. A população local exige um retorno à normalidade e manifestações ocorrem quase diariamente.
O governo central busca agilizar a devolução dos migrantes, mas, segundo a legislação, deve identificar cada um para determinar se a pessoa tem direito a asilo ou pode ser devolvida, enquanto milhares de menores de idade devem receber proteção especial.
