Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado terão tempo em rádio e TV Divulgação Neste sábado (29), as campanhas dos candidatos à Presidência exibem os primeiros programas da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. Apenas quatro candidatos têm direito a tempo, conforme a lei eleitoral: Lula (PT): 5 minutos e 31 segundos. Flávio Bolsonaro (PL): 4 minutos e 20 segundos.

Ronaldo Caiado (PSD): 2 minutos e 2 segundos. Augusto Cury (Avante): 35 segundos. Campanhas apostam em estratégias diferentes De início, a campanha de Lula deve destacar propostas que são bandeiras do governo, como o fim da escala 6x1, e também atacar Flávio Bolsonaro, principal adversário.

Flávio optou por uma abordagem inicial voltada à sua imagem pessoal, deixando ataques a Lula e ao PT para as próximas semanas. Caiado, ex-governador de Goiás, vai destacar a carreira política e mirar o PT nas críticas. Augusto Cury se apresentará como um "agente da despolarização" da política.

Propaganda eleitoral no rádio e na TV começa nesta sexta-feira (28) A propaganda eleitoral gratuita conta com dois blocos de 12 minutos e 30 segundos. Rádio: às 7h e às 12h. TV aberta: às 13h e às 20h30.

Neste sábado, primeiro dia, os programas serão veiculados na seguinte ordem, definida por sorteio pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Avante, PSD, PL e Coligação Brasil Pronto pra Mais (PT). A partir do segundo dia, o sistema será de rodízio: o partido ou coligação que veicular seu programa por último será o primeiro no dia seguinte. Há revezamento com a propaganda de candidatos a governador, em dias alternados.

Parte do tempo é reservada a candidatos a cargos do Legislativo (deputado e senador). Como funciona a distribuição de propaganda? Há regras para a distribuição do tempo de propaganda eleitoral gratuita.

10% do tempo é distribuído igualmente entre as siglas que cumprem a cláusula de desempenho (meta de votos que partidos devem atingir para ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda — clique para saber mais). Os outros 90% são distribuídos proporcionalmente à representação de cada partido na Câmara dos Deputados. Lula tem o maior tempo porque o PT é uma das maiores bancadas na Câmara e se aliou a PSB, PDT e à federação PSOL/Rede nestas eleições.

Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e os demais candidatos à Presidência não vão aparecer na propaganda porque seus partidos não cumpriram os critérios da clásula de desempenho nas eleições de 2022, mas podem fazer campanha nas redes sociais e nas ruas, o que está liberado desde o dia 16 de agosto.

Veja, a seguir, mais detalhes das primeiras propagandas: Lula O g1 obteve acesso a dois materiais que apresentam estratégias diferentes na campanha de Lula: reforçar pautas do governo, como o fim da escala 6 x 1, e atacar Flávio Bolsonaro. Em um dos vídeos, o presidente se dirige ao telespectador. "Juntos, nós reconstruímos o Brasil.

Agora, queremos dar um salto de qualidade, porque o Brasil está pronto para mais", afirma o presidente. A outra gravação é um vídeo sobre Flávio Bolsonaro, que cita investigações sobre o senador, como o caso das rachadinhas, em que ele foi denunciado em 2020 pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por organização criminosa e lavagem de dinheiro. As provas da investigação foram anuladas porque tribunais decidiram que Flávio tinha direito a foro privilegiado, por ser parlamentar.

Também há menções ao pedido de dinheiro ao banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. O caso está sob investigação. Em post nas redes sociais, o Secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, disse que o início do programa na TV é o momento em que a sociedade começa a prestar atenção nas eleições.

"Neste sentido, avaliamos ser importante mostrar quem é Flávio, qual é sua história e apresentar seu currículo", escreveu. Flávio Bolsonaro A campanha de Flávio Bolsonaro preparou para a estreia uma propaganda voltada à apresentação do senador. Segundo integrantes da campanha ouvidos pelo g1, a primeira peça buscará retratar o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro como um "homem de família".

A estratégia é começar com uma abordagem mais leve e deixar para os programas seguintes ataques mais diretos a Lula, com citações ao caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seu filho mais velho, investigado sob a suspeita de tráfico de influência. A equipe ainda discute em qual momento o assunto será levado ao horário eleitoral. Nas próximas peças, o senador também deve abordar temas como segurança pública e custo de vida, com foco na perda do poder de compra dos brasileiros.

Nas palavras de um interlocutor do candidato: "apresentar o problema e, depois, a solução". Ronaldo Caiado O g1 teve acesso à primeira peça publicitária de Caiado. Em dois minutos e dois segundos, o ex-governador escolheu falar de sua trajetória política e de segurança pública.

A campanha associa "coragem" à atuação de Caiado como médico e também no enfrentamento ao PT. A peça faz menção a grupos que invadem terras "de quem plantava". O candidato iniciou sua trajetória política como uma liderança ruralista, ligada ao agronegócio.

Foi candidato à Presidência em 1989, e depois deputado, senador e governador. No decorrer da peça, a campanha cita o casamento de 35 anos com Gracinha Caiado e credita ao candidato o enfrentamento de facções criminosas em Goiás, além de avanços em hospitais, escolas, transporte e inteligência artificial no estado. Na segunda metade, o tom muda com ataques ao PT.

A peça diz que há uma crise de segurança no país e atribui a situação a "20 anos" de gestões petistas. Augusto Cury Integrantes da campanha ouvidos pelo g1 afirmaram que a primeira peça de Cury será "objetiva e muito clara" por causa do tempo curto, de 35 segundos. O objetivo é retratar o escritor e psiquiatra, estreante em eleições, como um "agente da despolarização".

Sem TV, candidatos apostam nas redes sociais Ao g1, a coordenadora da campanha de Renan Santos, vereadora Amanda Vettorazzo (União-SP), afirmou que a estratégia é produzir conteúdo para as redes de forma constante e aproveitar a rotina do candidato para fazer as gravações. Segundo ela, Renan grava vídeos durante viagens, eventos e até dentro do carro. "Como a gente não tem tempo de TV, não gravou em estúdio", afirma.

Zema disse na sexta-feira (28) a jornalistas que também aposta na relevância das redes. Segundo ele, a presença nos meios de comunicação tradicionais não é 100% determinante para uma campanha ser bem-sucedida. Em grupos de WhatsApp, membros do partido Novo tentam mobilizar a militância para aumentar a exposição do candidato em vídeos, buscando viralização.