Influenciadora suspeita de ligação com máfia italiana publicou frase sobre 'botar fogo' em pessoas Reprodução/Instagram A influenciadora digital Paula Simões, presa preventivamente por suspeita de envolvimento em um esquema de tráfico internacional de cocaína ligado à 'Ndrangheta, máfia italiana, publicou nas redes sociais uma frase sobre ter coragem de "botar fogo" em outras pessoas.
Com 29,5 mil seguidores no Instagram, Paula Simões da Cruz, também conhecida como Paula Simões Assisi, é apontada pela Polícia Federal (PF) como suspeita de ter assumido funções de liderança na organização criminosa após a prisão do marido, Patrick Assisi, e do sogro, Nicola Assisi, em julho de 2019, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. No Instagram, Paula se apresenta como criadora de conteúdo digital e influenciadora.
O perfil reúne publicações sobre assuntos variados, como maquiagem, cuidados estéticos, música e vídeos de dança. "Se as pessoas soubessem que tenho coragem de botar fogo nelas não arriscavam tanto...", escreveu a influenciadora. Não há indicação de que a publicação tenha relação com os crimes investigados ou de que a frase tenha sido dirigida a alguma pessoa específica.
O que aponta a investigação? De acordo com a decisão da Justiça Federal, Paula é esposa de Patrick Assisi e nora de Nicola Assisi, presos em julho de 2019. A Polícia Federal suspeita que, após a detenção dos dois, ela tenha assumido a coordenação de atividades relacionadas ao tráfico de cocaína no Brasil.
Advogado é suspeito de operar esquema de cocaína ligado à máfia; Justiça decreta prisão Segundo os investigadores, Paula utilizava o codinome 'Chanel' no SkyECC, aplicativo de mensagens criptografadas. A investigação analisou conversas realizadas entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021. A PF afirma que a influenciadora teria negociado com fornecedores de drogas, coordenado carregamentos de cocaína destinados ao exterior e participado da movimentação financeira da organização criminosa.
A decisão judicial também aponta indícios de que Paula tenha administrado aproximadamente 2,2 toneladas de cocaína que permaneceram sob controle do grupo após a prisão dos familiares. Segundo a PF, mesmo depois da apreensão desse estoque, ela teria continuado a adquirir outros carregamentos.
Ligação com advogado de Santos A investigação também relaciona Paula a Patrick Raasch Cardoso, advogado de Santos, no litoral de São Paulo, investigado por suspeita de participação no mesmo esquema de tráfico internacional de cocaína. Segundo a Polícia Federal, o advogado teria atuado como intermediário em contatos com traficantes internacionais ligados à 'Ndrangheta e, posteriormente, participado diretamente da coordenação de remessas de drogas.
O advogado Patrick Raasch Cardoso (ao centro) citado por operar esquema de cocaína ligado à máfia italiana chefiada no Brasil por Nicola Assisi (à esq.) e Patrick Assisi (à dir.) Arquivo pessoal e Divulgação/Polícia Federal Prisão preventiva e bloqueio de bens A Justiça Federal decretou a prisão preventiva de Paula e de outros investigados no âmbito da Operação Eredità, que apura a atuação de uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas.
A decisão também determinou medidas patrimoniais, incluindo o sequestro de imóveis e o bloqueio de bens móveis, contas bancárias e aplicações financeiras vinculadas aos investigados. As suspeitas apresentadas pela Polícia Federal ainda dependem de análise judicial. A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação.
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