Sari Corte Real Fantástico O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) suspendeu a sessão de julgamento que analisava os últimos embargos apresentados pela defesa de Sari Corte Real. Ela foi condenada pela morte do menino Miguel, que caiu do 9º andar de um prédio de luxo no Centro do Recife, em junho de 2020 (saiba mais abaixo). O caso corre na Seção Criminal do TJPE, última instância antes de o processo chegar aos tribunais superiores.

Em maio deste ano, o colegiado negou o último recurso da defesa, mantendo a condenação de Sari Corte Real a 7 anos de prisão por abandono de incapaz com resultado morte. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O julgamento começou por volta das 14h e foi conduzido pelo presidente da Seção, Mauro Alencar de Barros. Logo após a abertura da sessão, ele anunciou que o desembargador Carlos Gil Rodrigues Filho havia pedido vista.

Antes dele, outros seis magistrados haviam rejeitado o pedido da defesa: Marcos Antônio Matos de Carvalho Eudes dos Prazeres França Eduardo Guilliod Maranhão Honório Gomes do Rego Filho Isaías Andrade Lins Neto André Vicente Pires Rosa O desembargador Virgínio Marques Carneiro Leão se declarou impedido de participar da análise do processo. Ainda faltam os votos de outros cinco magistrados, que só vão se manifestar após a retomada da sessão.

O g1 entrou em contato com o TJPE para saber os motivos que levaram o desembargador a pedir vista, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta. Na sessão marcada para esta quinta, estavam em análise embargos dois tipos de recurso que só podem ser apresentados pela defesa da ré: os embargos de declaração e embargos de declaração. Os embargos infringentes são usados quando há uma decisão não unânime de um colegiado e a defesa pode usar esse argumento para modificar a sentença.

Já os de declaração servem para esclarecer pontos considerados obscuros ou contraditórios de uma decisão, mas não mudam a essência de uma ordem judicial. Na última sessão do processo, realizada em maio, cinco desembargadores votaram para reduzir a pena de Sari Corte Real e outros cinco, para manter a condenação. Coube ao presidente da Seção dar o voto de empate que fez o pedido da defesa ser rejeitado.

Relembre o caso Laudo pericial sobre a morte do menino Miguel desmente versão de Sari Corte Real Em 2 de junho de 2020, Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, caiu do 9º andar do Condomínio Píer Maurício de Nassau, no bairro de São José, no Centro da cidade; Mirtes, mãe dele, tinha descido ao térreo para passear com a cadela dos patrões, enquanto a então patroa, Sari Corte Real, responsável por cuidar do menino naquele momento, pintava as unhas com uma manicure; O garoto ficou no apartamento de Sari, localizado no 5º andar e, num determinado momento, correu até o elevador; Imagens de uma câmera de segurança mostram Sari Corte Real apertando um botão do elevador e deixando a porta fechar com o menino dentro (veja vídeo acima); Um laudo pericial concluiu que o botão que Sari apertou levava o elevador para a cobertura do edifício; O vídeo mostra, ainda, o equipamento parando no 9º andar e o garoto saindo da cabine; Perdido, Miguel caminhou até um vão onde fica o maquinário dos aparelhos de ar-condicionado e caiu no térreo, morrendo enquanto era socorrido; Sari foi presa em flagrante na época e autuada por homicídio culposo, mas pagou fiança de R$ 20 mil e foi liberada; Em 2021, Mirtes Renata começou a cursar direito, para entender melhor os trâmites processuais do caso do filho; Com a repercussão do caso, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) criou o Instituto Menino Miguel, voltado para discussões sobre infância, família e envelhecimento; Em 2022, em visita ao instituto, a mãe do garoto homenageou a cantora e compositora Adriana Calcanhotto, que em 2020 compôs a canção "2 de Junho" sobre a morte de Miguel; Em maio de 2022, Sari foi condenada a oito anos de prisão e seis meses de prisão por abandono de incapaz com resultado morte, porém, em novembro do ano seguinte, a pena foi reduzida a sete anos; Além do processo criminal, o casal Sari e Sérgio Hacker responde a uma ação trabalhista por convocar as ex-funcionárias Mirtes Renata Santana e Maria Marta, mãe e avó de Miguel, para trabalhar durante a pandemia e por pagar os salários delas com dinheiro da prefeitura de Tamandaré; O processo, que condenou o casal a pagar uma indenização de R$ 1 milhão à família do menino, foi suspenso pelo STJ em setembro de 2024; A família do menino também entrou com uma ação cível contra Sari por danos morais, pedindo uma indenização de R$ 1 milhão; Em maio de 2023, um abaixo-assinado com quase 2,8 milhões de assinaturas pediu celeridade no julgamento sobre o caso; No mês seguinte, Sari Corte Real se matriculou no curso de medicina numa faculdade particular; A defesa de Sari recorreu em todos os processos movidos contra ela, que segue em liberdade quase cinco anos após a morte de Miguel.

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