Carro abastece com gasolina. Marcelo Camargo/Agência Brasil Decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região derrubou nesta terça-feira (1) a liminar que havia suspendido a cobrança do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, após o governo apresentar recurso. As informações são da Reuters.

Na semana passada, a Justiça Federal concedeu uma liminar contra a taxa no mesmo dia em que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a prorrogação do imposto, que foi introduzido neste ano como parte de um pacote de medidas do governo federal para proteger os consumidores da alta dos preços do petróleo. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem?

Mande para o g1 A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ingressou com pedido para derrubar a liminar, argumentando, por exemplo, "periculum in mora" em seu favor, "decorrente do risco à estabilidade fiscal, ao planejamento estatal e à regulação do comércio exterior", diz a decisão judicial. Agora no g1 Entenda a suspensão No dia 27 de agosto, a Justiça Federal do Distrito Federal suspendeu, provisoriamente, a cobrança de 12% de Imposto de Exportação sobre óleo bruto de petróleo e minerais betuminosos.

🔎Minerais betuminosos são rochas e substâncias ricas em hidrocarbonetos, utilizadas na produção de combustíveis e derivados de petróleo. A decisão de suspensão foi do juiz Diego Câmara, da 17ª Vara Federal do DF, e atendia ao pedido da Associação Brasileira de Empresas de Exploração e de Produção de Petróleo e Gás (ABEP). A liminar determinava que a Receita Federal se abstivesse de exigir o imposto das empresas representadas pela associação.

A cobrança havia sido estabelecida pela Resolução do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) nº 938/2026, publicada em 9 de julho, com validade de 60 dias. 🔎O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) é o núcleo executivo e decisório da Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). É o órgão responsável por formular, implementar e monitorar a política de comércio exterior e a política tarifária brasileira.

Petrobrás anunciou recentemente a descoberta de petróleo na foz do Amazonas. Divulgação/Foresea A arrecadação com o imposto já chega a R$ 7,9 bilhões de acordo com a Receita Federal. Na decisão, o juiz considerou que a resolução renovou uma cobrança criada pela Medida Provisória 1.340/2026, que perdeu eficácia no mesmo dia por não ter sido analisada pelo Congresso dentro do prazo constitucional.

Para ele, a manutenção da alíquota por meio de uma resolução do Gecex poderia representar uma tentativa de contornar o processo legislativo. "Inexistindo dúvida, na espécie, de que era vedada a reedição de Medida Provisória que restabelecesse a alíquota de Imposto de Exportação tacitamente rejeitada pelo Congresso no corrente ano, reputo descabida, com ainda mais razão, a renovação de tal majoração mediante ato normativo infralegal, sob pena de burla ao devido processo legislativo", disse.

O juiz também apontou questionamentos sobre a finalidade econômica da cobrança e afirmou que o imposto poderia não ser adequado para atingir os objetivos declarados pelo governo. Mais cedo, o ministro Márcio Elias foi questionado sobre a manutenção do imposto. Ele afirmou que a decisão sobre a cobrança cabia ao Gecex e avaliou que, diante da crise no Oriente Médio e dos impactos sobre preços e logística, a medida “não só se justifica como é necessária”.

*com Rafaela Rosa e Mariana Assis, TV Globo e g1