Escolher um espumante parece simples até você encontrar nas prateleiras dezenas de rótulos com palavras como Brut, Charmat, Cava, Prosecco, Blanc de Blancs. A boa notícia é que poucas informações do rótulo explicam quase tudo sobre o que você vai encontrar na taça. São três perguntas que você precisa responder olhando o rótulo: como o espumante foi feito, quão doce ele é e com quais uvas ele é produzido.

O método de elaboração: de onde vêm as bolhas Todo espumante começa como um vinho comum, chamado de vinho base. A diferença está em como o gás carbônico é criado e mantido dentro da garrafa. Esse é o fator que mais influencia a textura e o aroma.

Método tradicional X Charmat Os principais métodos para a produção dos espumantes são dois: o tradicional e o charmat. O primeiro, conhecido também como método clássico ou champenoise, é usado para a elaboração dos Champagnes e dos Cavas espanhóis, por exemplo. O segundo é típico dos Proseccos, entre outros.

No método tradicional, o vinho base é engarrafado com açúcares e leveduras e passa por uma segunda fermentação dentro da própria garrafa. As leveduras, depois de trabalhar, morrem e ficam em contato com o vinho por meses ou anos (o chamado envelhecimento sobre as borras ou sur lie). O que esperar: bolhas finas e persistentes, cremosidade, aromas de pão tostado, brioche, frutas secas e castanhas.

Espumantes de método tradicional costumam ter um preço mais elevado porque exigem mais tempo e trabalho. 3B Rosé é um espumante português elegante e delicioso elaborado pelo método tradicional. Divulgação/Porto a Porto.

Já no método Charmat, a segunda fermentação acontece em grandes tanques de aço pressurizados, não em cada garrafa. Em seguida, o vinho é filtrado e engarrafado sob pressão. O processo é mais rápido, barato e preserva muito bem o frescor da uva.

O que esperar: é muito comum sentir no nariz aromas frutados, como maçã, pera, cítricos e tropicais e de flores brancas; as bolhas são mais vivas e menos cremosas. É um estilo fresco e fácil de beber. O nível de doçura Essa é a informação mais prática do rótulo e a que mais confunde.

A quantidade de açúcar residual é medida em gramas por litro (g/L). Os espumantes mais secos são os classificados como Nature (até 3 g/L), em seguida vem o Brut (até 12 g/L). Se você procura um espumante seco, o Brut é o ponto de partida seguro.

O demi-sec é um espumante adocicado (até 50 g/L) e os doces apresentam mais de 50 g/L – o Moscatel costuma entrar nessa categoria. Viva la Vida Moscatel é um espumante doce da Serra Gaúcha, perfeito com sobremesas. Divulgação/Porto a Porto.

As uvas e os tipos de espumante O rótulo também ajuda a prever o sabor pelo tipo de uva ou pela denominação: Blanc de Blancs: literalmente “branco de brancas”, ou seja, um espumante branco elaborado só com uvas brancas, normalmente Chardonnay. Costuma ser cítrico e elegante. Blanc de Noirs: espumante “branco de tintas”, isto é, produzidos com uvas tintas (como Pinot Noir) vinificadas sem casca (pois os polifenóis da casca conferem a cor).

Mais corpo e notas de frutas vermelhas. Rosé: pode vir de uvas tintas com contato rápido com a casca ou de mistura de vinhos. Frutado, ótimo com comida.

Moscatel: uva muito aromática, geralmente doce e de baixo teor alcoólico, perfeito com sobremesas. Prosecco: elaborado na Itália com a uva Glera, pelo método Charmat, é frutado e fácil de beber. Ideal como aperitivo e em drinks como Spritz, Bellini e Mimosa.

Cava: espumante espanhol, de método tradicional, de excelente custo-benefício. Champagne: só pode levar esse nome o espumante da região francesa de Champagne, feito pelo método tradicional. Crémant: espumantes de outras regiões da França, de ótimo custo-benefício.

Safrado / Millésimé: indica que as uvas são de um único ano (em geral de uma colheita especial). Já os espumantes "NV" (non-vintage) são cortes de vários anos, buscando um estilo constante. Como decidir na prática Para brindar durante uma ocasião informal ou para acompanhar um aperitivo, o Brut é um espumante coringa.

Pela versatilidade, os Bruts são perfeitos também para acompanhar uma refeição do começou ao fim. Fazem o par perfeito com frutos do mar, ostras e entradas, além de frituras e salgadinhos. Por isso são uma boa escolha para levar num almoço ou jantar.

Para harmonizar com sobremesas, as melhores opções são os espumantes Demi-sec ou Moscatel. Por ser adocicado, o Demi-sec funciona bem também com comida apimentada, pois suaviza a ardência. Celebrações especiais merecem Champagne.

Como escolher um espumante Um bom espumante servido na temperatura errada perde muito. O ideal é servir entre 6 e 8 °C em taça tulipa ou de vinho branco. BEBA MENOS, BEBA MELHOR.