Flávio Bolsonaro e Lula REUTERS/Diego Vara e REUTERS/Adriano Machado O resultado do primeiro turno das eleições expôs as diferentes forças políticas que convivem em Minas Gerais: Republicanos e PL, do campo da direita, e PT, da esquerda, conquistaram as principais vitórias nas urnas, nas disputas por governo e Senado e pelas vagas de deputados. Considerado por estudiosos um "estado pêndulo", por oscilar entre direita e esquerda nos últimos 30 anos, Minas apresenta hoje uma clara divisão em seu eleitorado.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Apontado também como “espelho do Brasil” por refletir o resultado nacional das eleições presidenciais desde a redemocratização, o estado reproduz a atual divisão observada na disputa nacional entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O cenário reforça a importância de Minas Gerais no segundo turno, e o estado está no foco das campanhas de Flávio e Lula nos últimos dias. Nesta quarta-feira (21), Lula participou de um ato no Centro de BH.

Na semana passada, ele esteve em Juiz de Fora, na Zona da Mata, e em Ipatinga, no Vale do Aço. Flávio foi a Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, e deve ter ato com apoiadores em BH no sábado (24). Entenda ao fim da reportagem o motivo da escolha dessas cidades.

Esse reflexo do Brasil pode ser analisado a partir dos seguintes pontos, que são detalhados ao longo desta reportagem: Flávio Bolsonaro venceu no 1° turno no número total de votos no estado, enquanto Lula liderou no maior número de municípios. Na votação de 4 de outubro, os eleitores mineiros escolheram para o Senado um representante do PL, Domingos Sávio, e uma representante do PT, Marília Campos.

Na Câmara dos Deputados, a bancada do PL se tornou a maior de Minas, repetindo o cenário nacional – foram 21 representantes. Apesar disso, entre os 10 deputados federais mais votados no estado, 5 são do PT, contra 2 do PL (leia mais abaixo sobre a composição da Câmara e do Senado). Entre os eleitos para a Câmara, estão alguns dos principais mobilizadores das campanhas de Flávio e Lula.

De um lado, Nikolas Ferreira (PL), mais votado do país, aliado do candidato da direita e empenhado na corrida de Flávio ao segundo turno. Do outro, a segunda mais votada e mulher mais jovem eleita na Câmara, aos 21 anos, Ana Elisa (PT) se tornou importante referência na corrida lulista para o segundo turno, ao lado do deputado reeleito André Janones (Rede).

A eleição para o governo de MG não representou uma divisão equilibrada como nas outras escolhas dos eleitores mineiros, pois o governador eleito, Cleitinho Azevedo (Republicanos), venceu no primeiro turno com 55,4% dos votos, com diferença de quase 30 pontos percentuais em relação ao segundo colocado. Por outro lado, mesmo alinhado a Flávio Bolsonaro, ele defendeu uma das principais pautas atuais da esquerda e bandeira de Lula: o fim da escala 6 x 1 no Senado.

Ele chegou a afirmar que foi o responsável por fazer Flávio mudar de ideia sobre o tema, tendo o senador presidenciável dado voto favorável à PEC que acaba com escala 6 x 1. Cleitinho também tem dito que, em seu governo, dialogará com o futuro presidente, seja ele Flávio ou Lula. Minas Gerais teve no primeiro turno índice de abstenção maior que o percentual do Brasil e tem o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16,3 milhões de eleitores, atrás apenas de São Paulo.

Série sobre voto pendular explica por que Minas é o estado que mais representa a diversidade do Brasil Entenda a divisão entre direita e esquerda em Minas Gerais a partir dos seguintes aspectos: Foco das campanhas presidenciais e 22% de abstenção Como MG votou para presidente Como MG escolheu governador Como MG escolheu senadores Como MG votou para Câmara dos Deputados Como MG votou para a Assembleia Legislativa Campanha presidencial de 2º turno em Minas Foco das campanhas presidenciais e 22% de abstenção Os fatos descritos acima ajudam a explicar por que Minas entrou no centro das campanhas presidenciais no segundo turno.

Enquanto Lula busca a virada no estado, Flávio quer ampliar a vantagem. Embora o nome do PL tenha garantido a liderança em MG em 4 de outubro, o petista venceu na maioria dos municípios mineiros. O candidato à reeleição ficou na frente em 452 cidades, e o adversário, em 401.

Entre os focos dos candidatos estão os 3.735.098 eleitores que não foram às urnas no primeiro turno. O índice de abstenções no estado (22,8%) superou o do Brasil (21,08%). "Desde a redemocratização, o estado sempre votou no candidato que venceu a eleição presidencial.

Por isso, tem peso eleitoral e também simbólico: o resultado mineiro costuma ser tratado como um termômetro da disputa nacional", explica Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Voltar ao menu. Como MG votou para presidente O primeiro turno terminou com Flávio Bolsonaro em vantagem no Sul de Minas, no Triângulo Mineiro, no Alto Paranaíba e na Região Central.

Lula conquistou a liderança no Norte, Jequitinhonha, Mucuri e também na Zona da Mata (veja mapa mais abaixo). Conforme apontam estudiosos, em termos econômicos, sociais e territoriais, o Sul tem forte integração com São Paulo; o Triângulo, com Goiás e Distrito Federal; o Norte de Minas tem características semelhantes às do Nordeste brasileiro; e a Zona da Mata recebe influência do Rio de Janeiro.

Apesar de Lula ter vencido em mais municípios do que Flávio, o candidato do PL encerrou o primeiro turno com 588.612 votos a mais do que o petista no estado. Entre os dez maiores colégios eleitorais de MG, Flávio liderou em nove: Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim, Montes Claros, Uberaba, Ribeirão das Neves, Governador Valadares e Ipatinga. Lula ganhou apenas em Juiz de Fora.

No resultado total das urnas no estado, Flávio obteve 48,24% dos votos, e o petista, 43,33%. Augusto Cury (Avante) ficou na terceira posição, com 3,42%, seguido por Renan Santos (Missão), com 2,06%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 1,92%. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), terminou em sexto lugar, com 0,82% dos votos.

LEIA TAMBÉM: Zema não vence em nenhuma cidade de MG e fica em 3º na cidade natal Em todo o Brasil, Flávio Bolsonaro ficou com 47,03% dos votos; Lula, com 45,16%. Na sequência apareceram Cury (2,89%), Renan (2,24%), Caiado (2,18%) e Zema (0,27%). Voltar ao menu.

Infográfico mostra resultados das eleições presidenciais em MG no 1º turno Kayan Albertin - Arte/g1 Como MG escolheu governador Enquanto a votação presidencial deixou Minas dividida, a disputa pelo governo foi definida no primeiro turno. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador com 55,40% dos votos válidos. O candidato de Lula, Patrus Ananias (PT), ficou em segundo lugar, com 26,34%, e o candidato de Flávio Bolsonaro, Flávio Roscoe (PL), em terceiro, com 6,97%.

A candidatura de Patrus foi definida depois que outras alternativas defendidas pelo PT para a disputa não avançaram. Antes dele, houve uma tentativa de viabilizar o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que descartou disputar a eleição e anunciou que deixaria política, e o de Marília Campos (PT), que recusou candidatura ao governo e concorreu ao Senado, tendo sido eleita.

Já Flávio Roscoe foi lançado pelo PL em meio à indefinição sobre a candidatura de Cleitinho, que liderava as pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas. O PL tentou construir uma candidatura unificada da direita em torno do senador, mas decidiu lançar candidatura própria com Roscoe depois que o Republicanos demorou a viabilizar o nome de Cleitinho. A confirmação da candidatura de Cleitinho foi marcada por muitas idas e vindas.

O senador chegou a recuar e declarar que não concorreria, antes de ter a candidatura confirmada pelo Republicanos em agosto. O político trabalhou como verdureiro no sacolão da família, mas foi como músico que começou a ficar conhecido em Divinópolis, sua cidade natal. Em dez anos, de 2016 a 2026, ele foi eleito vereador, deputado estadual, senador e, por fim, governador.

De verdureiro e cantor a governador de MG: quem é Cleitinho Azevedo Em discurso, à tribuna, senador Cleitinho (Republicanos-MG). Carlos Moura/Agência Senado Cleitinho prometeu revisar as isenções fiscais, conceder reajustes anuais aos servidores públicos e reduzir o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Ele também afirmou que pretende negociar a dívida de Minas com o governo federal, independentemente de quem ocupe a Presidência da República.

O governador eleito declarou apoio a Flávio Bolsonaro, embora tenha divergido publicamente do presidenciável. Cleitinho era defensor do fim da escala 6x1, uma das principais pautas atuais da esquerda e bandei de Lula, enquanto o candidato do PL criticou a proposta durante toda a tramitação. No entanto, em 14 de outubro, Flávio Bolsonaro votou a favor da PEC que acaba com a escala 6x1.

Em entrevista, Cleitinho chegou a dizer que foi o responsável por fazer Flávio mudar de ideia. Voltar ao menu. Como MG escolheu senadores Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT) são eleitos senadores por MG Minas Gerais elegeu senadores do PL e do PT.

Domingos Sávio (PL) foi o mais votado, com 4.968.829 votos (24,21%). Marília Campos (PT) ficou com a segunda vaga, com 3.990.864 votos (19,44%). Sávio já foi deputado estadual e, atualmente, está no quarto mandato como deputado federal.

Ele será senador pela primeira vez, com apoio de Flávio Bolsonaro. Marília participou da fundação do PT na região do Triângulo Mineiro, na década de 1980. Ela já foi deputada estadual e eleita quatro vezes prefeita de Contagem, na Grande BH.

Apoiada por Lula, também ocupará uma cadeira no Senado pela primeira vez. A disputa pela Câmara Alta ainda tinha nomes como o atual senador Carlos Viana (PSD), que ficou na terceira posição, com 17,46% dos votos, e o ex-governador de Minas e ex-senador Aécio Neves (PSDB), que acabou em sétimo lugar, com 4,08%. Aécio Neves perde disputa pelo Senado em Minas, ganha menos votos que Superman e fica sem mandato pela 1ª vez em 40 anos Voltar ao menu.

Como MG votou para Câmara dos Deputados O PL conquistou 21 das 53 cadeiras de Minas Gerais na Câmara dos Deputados. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, ficou com 13. União Brasil e PP, reunidos na Federação União Progressista, conquistaram seis.

O Republicanos elegeu três deputados federais. A lista dos dez candidatos mais votados do estado, no entanto, teve outro desenho. O primeiro colocado foi Nikolas Ferreira (PL), que se tornou o deputado federal mais votado da história do país com 3.119.318 votos.

Ele é um dos principais aliados de Flávio na corrida presidencial. Na sequência, apareceu Ana Elisa (PT), com 524.219 votos. Aos 21 anos, ela se tornou a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara e a deputada federal mais jovem eleita no país desde pelo menos 1994.

Ana tem participado ativamente da campanha de Lula, principalmente nas redes sociais. A lista dos dez mais votados inclui ainda outros quatro candidatos do PT – Reginaldo Lopes, Rogério Correia, Ana Pimentel e Gleide Andrade –, além de Duda Salabert (PSOL), Pinheirinho (PP), Zé Vitor (PL) e Weliton Prado (PSD). Quem não aparece na lista, mas também ganhou protagonismo na campanha de segundo turno, é André Janones (Rede), deputado federal reeleito com 78.780 votos.

Ele é o responsável pelo canal de WhatsApp "Exército do Lula", que nesta quarta-feira (21) alcançou a marca de mais de 7 milhões de seguidores. Voltar ao menu. Como MG votou para a Assembleia Legislativa Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o PL saltou de 13 para 21 cadeiras.

O partido terá a maior bancada na Casa a partir de 2027. O PT aparece logo atrás, com 15 deputados, seguido pelo PSD, com nove. PP terá cinco parlamentares, e Republicanos, quatro.

Bruno Engler (PL) foi o estadual mais votado, com 675.940 votos. Beatriz Cerqueira (PT) ficou em segundo lugar, com 328.402. Voltar ao menu.

Campanha presidencial de 2º turno em Minas O estado que se dividiu nas urnas virou também um dos principais focos das campanhas dos presidenciáveis. Lula voltou a Minas em 16 de outubro. Primeiro foi a Juiz de Fora, a única das dez maiores cidades mineiras onde ficou à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Depois, seguiu para Ipatinga, onde o candidato do PL obteve vantagem de 29 pontos percentuais. Nesta quarta-feira (21), o petista participou de uma caminhada em Belo Horizonte. Ele estava acompanhado de aliados como o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e a senadora eleita Marília Campos.

Atos de apoio a Lula também têm sido registrados em diferentes cidades do estado desde o início da campanha de segundo turno. Já Flávio Bolsonaro escolheu outro ponto estratégico para a primeira visita a MG nesta etapa. Em 15 de outubro, ele esteve em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, uma das poucas cidades da região onde venceu Lula no dia 4.

No próximo sábado (24), véspera da eleição, ele deve visitar a capital mineira, ao lado de aliados como Nikolas Ferreira e Cleitinho Azevedo. Voltar ao menu. Vídeos mais vistos no g1 Minas: