Enchentes no Vale do Ribeira afetaram mais de 11 milhões de pés de banana, diz associação Importante polo produtor de banana no Brasil, o Vale do Ribeira (SP) sofreu impactos na produção agrícola devido à cheia do Rio Ribeira de Iguape, que deixou cidades debaixo d'água na região. Os primeiros levantamentos feitos pela Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar) revelam um impacto severo e um cenário de preocupação, com cerca de 11,2 milhões de pés de banana afetados.
Segundo a associação, uma estimativa inicial aponta aproximadamente R$ 175 milhões em prejuízos na região. Os recursos necessários para a recuperação das áreas produtivas são estimados em cerca de R$ 210 milhões. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp.
O nível do Rio Ribeira de Iguape subiu cerca de 10 metros acima do normal após as fortes e contínuas chuvas nos estados de São Paulo e Paraná, entre a segunda e terceira semana de setembro. A cheia provocou alagamentos em diversos municípios da região, levando a decretos de emergência em Eldorado, Registro, Ribeira, Iporanga e Barra do Turvo. Segundo a Defesa Civil do Estado, centenas de pessoas precisaram deixar suas casas e, por isso, foram montados 19 abrigos para desabrigados em seis cidades.
Milhares de hectares de plantações de banana foram atingidos pelas enchentes no Vale do Ribeira Carlos Abelha/TV Tribuna Impactos De acordo com a Abavar, os levantamentos apontam que cerca de 7 mil hectares de plantações de banana foram atingidos. Além disso, as áreas de palmito pupunha, pecuária leiteira e atividades de laticínios também sofreram impactos. Sendo assim, a associação enfatiza que a situação afetou toda a cadeia econômica que depende da produção agropecuária do Vale do Ribeira.
Por isso, o cenário exige união e mobilização da categoria e das autoridades para recuperação das áreas e retomada da produção. O presidente da Abavar, Augusto Aranha, informou que, com o recuo da água, começa uma etapa difícil na rotina dos produtores. "Temos milhares de hectares atingidos e milhões de pés de banana que precisarão ser recuperados ou replantados" disse Aranha, em nota divulgada pela associação.
Ainda no posicionamento, a instituição ressaltou que a banana possui papel fundamental na economia do Vale do Ribeira, pois envolve milhares de produtores, trabalhadores e empresas que atuam em várias etapas da cadeia produtiva. “Precisamos olhar para o produtor que perdeu sua produção e que terá pela frente meses de trabalho e investimentos até conseguir recuperar sua lavoura. A recuperação da bananicultura é também uma questão econômica e social para toda a região”, afirmou Aranha.
Alckmin anuncia recursos para cidades do Vale do Ribeira atingidas por cheias Medidas A Abavar considera importante que os danos sejam devidamente levantados para que medidas de apoio sejam implantadas por meio de uma ação conjunta entre os governos municipal, estadual e federal, além de instituições financeiras, órgãos técnicos e entidades representativas do setor produtivo. Na última semana, os governos federal e estadual anunciaram algumas medidas para a população do Vale do Ribeira.
Confira o que já foi anunciado: Governo de SP Financiamentos: parcelas do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) com vencimento entre 11 de setembro e 31 de dezembro de 2026 poderão ser prorrogadas para 2027. O produtor precisa solicitar a medida na Casa da Agricultura ou em um escritório do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). Crédito emergencial: o estado prepara uma linha de custeio para ajudar os produtores a retomarem a produção.
As condições serão definidas após o levantamento dos prejuízos. Avaliação dos danos: 25 técnicos da Secretaria de Agricultura vão vistoriar as propriedades quando o nível da água baixar e os acessos forem liberados com segurança. As equipes também vão orientar os agricultores sobre a recuperação das atividades.
Cultivo de banana: principal cultura agrícola do Vale do Ribeira, a banana terá acompanhamento específico para avaliação dos bananais, recuperação das plantas e orientação sobre o manejo. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA), a fruta representa 84% do valor da produção agropecuária regional, estimada em R$ 1,68 bilhão.
Comunidades quilombolas: 23 servidores do Itesp, com nove veículos 4x4, devem atender cerca de 344 famílias de sete comunidades, com orientações e levantamentos técnicos, conforme as condições de acesso.
Governo Federal Cerca de R$ 2,8 milhões em repasses para municípios do Vale do Ribeira; Possibilidade de saque de até R$ 6,2 mil do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por trabalhadores atingidos, conforme as regras do saque calamidade; Envio de 3 mil cestas básicas para a região; Destinação de R$ 1,5 milhão para alimentos; Crédito de até R$ 50 mil por unidade para comunidades quilombolas, por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). VÍDEOS: Tudo sobre Santos e Região
