Lula responde a pergunta sobre fila do INSS O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (3) que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passou a analisar mais pedidos de benefícios por mês do que o número de novos requerimentos apresentados. O governo considera que isso significa um atendimento sem fila.
Entretanto, segundo o próprio governo, há mais de 200 mil pedidos sem resposta há mais de 45 dias, critério que o INSS vinha adota para considerar um requerimento na fila. "Normalmente vai acontecer de ficar com um resíduo, basicamente BPC, pequeno resíduo de beneficiários que já foram atendidos, já deveriam estar de fora, mas é um resíduo que não tem nenhum impacto em relação ao número gigantesco que tratamos hoje", afirmou o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT).
Zerar as filas do INSS foi uma das promessas de Lula ao tomar posse em 2023. Segundo o governo, o tempo médio de análise de decisão sobre os pedidos caiu para 34 dias. O tempo média para a realização de perícia médica caiu de 70 dias em agosto de 2023 para 17 dias em agosto de 2026, de acordo com o governo.
Wolney disse que o governo vem acompanhando os gráficos de fila de pedidos iniciais e de novos pedidos de benefícios e que em agosto deste ano as linhas se cruzaram, "mostrando que hoje há menos gente na fila do que entrou no mês passado". "Quando isso acontece, nós não temos mais uma fila, nós passamos a ter um fluxo", disse o ministro. Para explicar o cenário atual, o ministro deu dois exemplos, citando o que acontece em restaurantes e em lojas.
"É como um restaurante. Se o restaurante tem 50 mesas e tem 30 pessoas lá fora e essas 30 pessoas estão na fila, quando você põe as 30 pessoas para dentro do restaurante e elas todas estão sendo atendidas, acabou a fila. Uma está no cardápio olhando, uma está se alimentando, outra pagando a conta, elas estão em atendimento, deixou de existir a fila para existir atendimento", disse Wolney Queiroz.
O ministro também afirmou que o tempo médio de decisão passou 45 dias, que é prazo legal, para 34 dias. "Nós estamos hoje com uma situação parecida com uma loja que tem 12 vendedores e entram oito clientes. Estamos com folga no atendimento, estamos tranquilos no atendimento por maior que seja a demanda e isso num tempo médio de decisão de 34 dias quando prazo médio estabelecido legal é de 45 dias.
Então estamos fazendo tudo isso muito abaixo do prazo legal de 45 dias", disse o ministro. Nos últimos meses, a fila de espera recuou de forma expressiva, mas os indeferimentos de pedidos também avançaram com rapidez. A demora para a resposta de requerimentos é uma das principais queixas dos beneficiários do INSS às vésperas das eleições presidenciais de 2026.
🔎O INSS é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Previdência Social, encarregada de executar as ações de concessão, manutenção e pagamento de benefícios previdenciários. O anúncio foi feito em um evento no Palácio do Planalto. Em junho, o presidente afirmou que tinha a meta de zerar a fila até setembro deste ano.
Na semana passada, Lula afirmou durante sabatina da TV Globo que iria anunciar o fim da fila do INSS nesta semana e que, a partir do anúncio, "a espera de 45 dias vai estar apenas em 251 mil pessoas, que é o normal". Ao ser questionado sobre a promessa de zerar a fila, o petista disse que, ao assumir o terceiro mandato presidencial, o governo encontrou cerca de 3 milhões de pessoas aguardando atendimento na Previdência.
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que a fila caiu para 1,8 milhão de benefícios represados em junho e para 1,55 milhão no fim de julho – o menor patamar em 21 meses. No ano, a redução da fila foi de 74%. ➡️O número de benefícios negados também mostra forte elevação.
Em junho, os indeferimentos se aproximaram da marca de 1 milhão. ➡️No acumulado do ano, o volume de benefícios rejeitados cresceu 70% na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre os requerimentos mais rejeitados estão os relativos a benefícios de incapacidade, que incluem o antigo auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), auxílio-acidente e aposentadoria por incapacidade permanente.
Lula defende Previdência Social O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou o anúncio, mas reconheceu que não é possível acabar com a fila do INSS. "É importante que as pessoas saibam a gente não quer acabar com a fila porque no dia que a gente acabar a fila significa que não tem mais ninguém reivindicando direitos. O que a gente quer humanizar a fila, é a pessoa ter o tempo correto de dar entrada, esperar e receber o seu benefício", afirmou.
O petista criticou quem associa o déficit fiscal aos gastos com a Previdência Social e voltou a falar sobre as despesas do país com juros. "Nunca aceitei jogar a responsabilidade do déficit em cima da Previdência Social. Nunca aceitei nem vou aceitar.
Se a gente tiver problema de compatibilidade entre receita e despesa, a gente discute e acerta, mas não dá para jogar [a responsabilidade], disse Lula. "O déficit é porque temos que pagar R$ 1,3 trilhão de juros todo ano para resolver os problemas deste país", complementou. O presidente afirmou, ainda, que a vinculação dos benefícios sociais ao salário mínimo, de modo que os reajustes do salário mínimo também sejam refletidos nos benefícios, não é responsável por eventuais problemas nas contas públicas.
"Não pode dar aumento real para salário mínimo? Por que isso acaba com a Previdência? O que é dar 3% real pro menor salário do país?", disse Lula.
Troca no comando do INSS O governo trocou a chefia do INSS em abril. No lugar de Gilberto Waller, que foi demitido, assumiu o posto a servidora de carreira do órgão Ana Cristina Viana Silveira. Graduada em direito, Ana está no INSS desde 2003, onde ingressou no cargo de analista do seguro social.
Um dos motivos para a troca foi o desgaste que as filas de pessoas em busca de benefícios estavam causando à imagem da gestão de Lula e que poderiam ser exploradas por adversários na campanha eleitoral, mostrou o blog do jornalista Valdo Cruz. INSS faz mutirão para tentar diminuir a fila de quem espera por perícia ou BPC Reprodução Ana Cristina presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos. Neste período, segundo o governo, o INSS dobrou a capacidade de análise de recursos.
Após esse resultado, a nova presidente do INSS assumiu o cargo com a missão de zerar as filas no órgão. A troca no comando da autarquia foi defendida pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT). Ainda segundo o blog, Lula avaliou que o ex-presidente Gilberto Waller foi importante para colocar a casa em ordem depois da eclosão do escândalo de desvios de aposentadorias e pensões.
Mas não conseguiu fazer o serviço de casa em relação às filas, por não ser alguém do setor. Demissão de Waller O antecessor de Ana, Gilberto Waller Júnior foi nomeado presidente do instituto em 30 de abril do ano passado, em meio a um escândalo de fraudes na Previdência Social. Ele passou a ocupar a função uma semana após a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que revelou um esquema bilionário de desvios por meio de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
🔎As investigações revelaram um esquema criminoso para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as investigações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões. Na ocasião, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado e demitido em abril.
Em novembro do ano passado, foi preso. Outros cinco servidores da cúpula do órgão também foram afastados por decisão judicial, e posteriormente, detidos pela polícia.
