Kassio Nunes Marques se declara impedido em julgamento sobre Moraes Mensagens trocadas por Daniel Vorcaro com o ex-diretor jurídico do banco Master, Luiz Rennó, mencionam supostos pagamentos de R$ 500 mil por mês ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O conteúdo foi extraído do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal, e veio a público horas antes da sessão desta terça-feira (15) em que o STF analisa supostos diálogos entre o ex-banqueiro preso por suspeita de fraudes e o ministro Alexandre de Moraes, cuja mulher, Viviane Barci de Moraes, assinou um contrato de R$ 131 milhões com o Master.
Em nota, Kevin Marques negou ter recebido recursos de Vorcaro e afirmou que sua atuação profissional como advogado em favor da empresa de consultoria Consult "não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal". "Como informado anteriormente, o advogado Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa.
A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal", afirma a nota. No início da sessão do Supremo, o ministro Nunes Marques pediu a palavra e afirmou que o filho nunca prestou serviços ao Master nem foi remunerado pelo banco. Disse também que sempre atuou com isenção em casos relacionados ao Master no Supremo.
Na sequência, declarou-se impedido de participar do julgamento porque, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem feito um esforço para se manter "equidistante" de "preferências políticas", e disse que sua missão mais importante no momento é assegurar o equilíbrio das eleições, que vão acontecer em 4 de outubro. "Tenho uma missão que me foi conferida pela Constituição brasileira. Entendo que essa missão é mais importante, que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026", afirmou.
"Não tenho dúvida, e os debates vão influir, que esse julgamento eventualmente pode também impactar no cenário político eleitoral. Então, na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento." Nunes Marques se declarou impedido de participar de julgamento sobre relações entre Vorcaro e Moraes Reprodução Conversas de Vorcaro As conversas extraídas do celular de Vorcaro mostram diálogos com o ex-diretor jurídico do Master, Luiz Rennó.
Em 1º de outubro de 2024. Rennó encaminha uma mensagem dizendo que o banco teria saído vitorioso no processo da "Alcídia", uma disputa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro que daria lucros ao Master. O ex-diretor jurídico relata que os votos favoráveis foram os dos ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques.
Vorcaro responde com um emoji. Na sequência, Rennó envia o contato de Kevin Marques, filho do ministro, com a seguinte mensagem: "Dominado aqui". E encaminha uma imagem que não está disponível.
Um dos diálogos indica supostos pagamentos a Kevin. Em 4 de julho de 2025, Rennó envia o contato do filho do ministro e questiona: "Esse aqui - 500 mil mês - mantém?". Depois ri e diz: "Então esse aqui já era né".
No mês seguinte, Rennó envia a Vorcaro uma lista com consultorias e escritórios ligados a autoridades e questiona: "Alguma prioridade máxima?". Vorcaro responde: "Consult? Guido e Lewandowski".
Sobre Consult, Rennó responde: "Muito importane tbem [sic]. Falei sobre renovação recente". Em 8 de agosto de 2025, Rennó diz: "Dos pagamentos essenciais está faltando a consult".
Consult é uma empresa de consultoria que pertence a um sócio do filho do ministro. Tem o mesmo endereço de e-mail do IPTF (Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária), que pertence a Kevin. Citações a André Mendonça e a filho de Fux Outra troca de mensagens revela uma tentativa de aproximação com André Mendonça, relator do caso Master no STF.
Em 7 de fevereiro de 2025, Vorcaro recebe uma mensagem do advogado Ciro Soares pedindo para ele ligar. "Tô com André M.", justifica. Na sequência, é feita uma chamada de 1 minuto e 10 segundos.
No dia seguinte, Ciro envia uma foto ao lado do ministro. Uma semana depois, no dia 16, em um novo diálogo, Ciro diz: "Opa Dani!!! Preciso muito falar com vc.
O A.M quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes." Ele reforça: "Muito importante sua ida nele junto comigo". No dia seguinte, Ciro avisa: "Cezinha confirmou às 16h de quarta".
Procurada, a assessoria de imprensa de André Mendonça não quis se manifestar. Em nota divulgada em 2 de setembro, o ministro disse que se reuniu com Daniel Vorcaro "uma única vez", no início do ano passado, para tratar de um caso sobre precatórios em julgamento no Supremo. O deputado Cezinha de Madureira foi alvo de uma operação na segunda-feira (14), como parte de uma investigação sob a supervisão do ministro Flávio Dino.
O parlamentar é investigado por tráfico de influência e por vender suposta aproximação com ministros. No despacho, no entanto, Dino diz que não ficou provado que ele conseguiria entregar a aproximação que prometia. Também constam mensagens do deputado no material extraído do celular de Vorcaro.
No dia 13 de março de 2025, ele diz: "Amanhã sexta feira 17:00 com ministro André em são Paulo" e avisa que estará lá para recebê-lo. Em 24 de maio de 2025, Vorcaro recebe de Jarbas Soares Júnior, ex-procurador Geral de Minas Gerais e primo do advogado Ciro Soares, um convite para participar de um evento no Instituto Iter, criado pelo ministro. "São poucos os convidados, que foram convidados foram selecionados [sic] pelo Iter", detalha Jarbas.
Dois dias depois, em 26 de maio, Ciro manda mensagem. "Cezinha é f... Tô p...
com ele". E explica: "O homem pede para lhe chamar pro evento na sexta e o Cezinha acha melhor vc não ir". "Eu e o Jarbas não vemos problema na sua ida".
Em outro momento, Ciro compartilha uma decisão de André Mendonça com Vorcaro referente a dois inquéritos contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro. Mendonça concede um habeas corpus para declarar a nulidade de atos ligados à delação premiada de Vinícius Azevedo da Silva, ex-assessor de Castro. O material contém ainda conversas diretas de Vorcaro com Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux.
Em 14 de maio de 2024, o ex-banqueiro pergunta a Rodrigo se ele compareceria a um evento. Naquele dia, aconteceu a degustação de uísque no The Carnegie Clube, Nova York. Em 5 de novembro de 2024, Vorcaro tenta marcar um encontro com Rodrigo e diz que gostaria de chamá-lo para ajudar em um caso.
Eles fazem uma reunião por vídeo e Rodrigo diz, depois: "Será um prazer, se eu puder ajudar". "Bom demais", responde o banqueiro. Vorcaro também oferece área vip no camarote do carnaval do Rio que organizou em 2025.
"Tem para todos os dias! Pode chamar filho e sogra tb. Amigos, quantos quiser".
Rodrigo, então, passa uma lista de nomes e reclama que não teria recebido o convite para seu filho. Em nota, o escritório Fux Advogados afirmou que "nunca advogou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master", nem para qualquer empresa ou fundo de investimento relacionado.
Disse também que nunca recebeu qualquer valor de Vorcaro e que, "embora tenha havido uma tentativa de aproximação comercial entre Daniel Vorcaro e seus sócios mais de um ano antes de qualquer notícia envolvendo as fraudes ou implicação criminal do banqueiro, tal relação profissional jamais se concretizou". Nota de Kevin Marques "O advogado Kevin Marques não prestou serviço ao banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro.
Como informado anteriormente, o advogado Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa.
A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal." Nota do escritório Fux Advogados "Fux Advogados reafirma que: Nunca advogou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master (controladas, subsidiárias, qualquer empresa do grupo, fundos de investimentos relacionados, etc.); Nunca fez qualquer proposta de trabalho e jamais celebrou qualquer contrato ou manteve relação comercial com Daniel Vorcaro ou com Banco Master (controladas, subsidiárias, qualquer empresa do grupo, fundos de investimentos relacionados, etc.); Nunca recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master (controladas, subsidiárias, qualquer empresa do grupo, fundos de investimentos relacionados, etc.) Jamais foi contratado para atuar em processos que se encontrassem em vias de remessa ao Supremo Tribunal Federal, muito menos para atuar em processos que já se encontrassem em trâmite na Corte; Embora tenha havido uma tentativa de aproximação comercial entre Daniel Vorcaro e seus sócios mais de um ano antes de qualquer notícia envolvendo as fraudes ou implicação criminal do banqueiro, tal relação profissional jamais se concretizou.
Todas as pessoas que porventura bucam contato com Ministro Luiz Fux por intermédio do escritório ou de seus sócios, a orientação sempre foi de encaminhar os contatos pelo canal oficial do Supremo Tribunal Federal."
