Robert Kraft usando um boné dos Patriots, o time de futebol americano do qual ele é dono Getty Images/Via BBC O cantor britânico Ed Sheeran enfrenta a maior controvérsia de sua carreira, e no centro do dilema está um empresário bilionário: Robert Kraft.

Kraft é, entre outras coisas, dono do New England Patriots, o time de futebol americano onde brilhou o ex-marido de Gisele Bündchen, Tom Brady, considerado o quarterback mais bem-sucedido da história da NFL (National Football League, a liga de futebol americano dos EUA). O empresário é também proprietário do Gillette Stadium, nos arredores de Boston. Agora no g1 É justamente nesse estádio que Ed Sheeran tem shows agendados como parte de sua bem-sucedida turnê pelos Estados Unidos, a "Loop Tour".

E é aí que surge a controvérsia. Todos os artistas convidados para acompanhar o cantor britânico, um dos músicos mais vendidos do mundo, abandonaram o projeto depois que o rapper Macklemore foi retirado da programação por ter feito comentários em favor de uma "Palestina Livre" durante algumas das apresentações da turnê. Macklemore, conhecido por seu apoio declarado aos direitos palestinos e por suas críticas à campanha militar de Israel em Gaza e à ocupação da Cisjordânia, irritou Kraft.

Segundo o rapper, o empresário teria pressionado donos de outros locais que receberiam a turnê para que o impedissem de se apresentar. O empresário judeu afirmou que sua decisão responde a um "histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas" por parte do rapper, que Kraft classificou como "profundamente ofensivo e doloroso para a comunidade judaica".

Um dos locais que também proibiu Macklemore de se apresentar foi o Raymond James Stadium, na Flórida Getty Images/Via BBC Sheeran — que se apresentou no casamento de Kraft em 2022 — insistiu que a decisão de excluir Macklemore não foi dele, mas sim da empresa produtora da turnê, a Messina Touring Group. A empresa alegou que o rapper foi retirado da programação porque algumas casas de shows, incluindo o Gillette Stadium e o Raymond James Stadium, na Flórida, recusaram-se a sediar os shows caso ele se apresentasse.

Se Macklemore tivesse permanecido na programação, a turnê teria que ser cancelada, argumentou a produtora. A situação gerou críticas a Sheeran por sua aparente conivência. Mas quem é exatamente Robert Kraft e por que ele exerce tanta influência?

LEIA TAMBÉM Entenda confusão envolvendo cantor e discurso pró-Palestina de atração de abertura Macklemore é retirado de turnê de Ed Sheeran após discurso pró-Palestina Ed Sheeran perde todos os artistas que abririam sua turnê após expulsão de rapper por discurso pró-Palestina Empresário poderoso Esse episódio recente só reforça uma constatação: Robert Kraft é um dos empresários mais influentes dos Estados Unidos.

Como presidente do Grupo Kraft — um conglomerado com investimentos em papel, embalagens, imóveis, capital privado e entretenimento —, o empresário de 85 anos possui uma fortuna estimada em US$ 15 bilhões (cerca de R$ 77 bilhões). Preocupado com o aumento do antissemitismo no mundo, ele criou a Fundação Together Beat Hate (que em tradução livre seria algo como Fundação Juntos Vencemos o Ódio).

Ele contribuiu pessoalmente com US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões) e foi acompanhado por outros benfeitores em doações. Nascido em Brookline, Massachusetts, ele frequentou escolas públicas antes de ingressar na Universidade Columbia com uma bolsa de estudos — apesar da esperança de seu pai, um judeu ortodoxo, de que ele seguisse uma carreira religiosa e se tornasse rabino. Após se formar em 1963, Kraft recebeu uma bolsa de estudos para a Harvard Business School, onde fez mestrado em administração de empresas.

Cinco anos depois, fundou sua primeira empresa de embalagens, tornando-se um pioneiro na indústria alimentícia. Kraft mantém uma relação próxima com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu Getty Images/Via BBC Em 9 de janeiro de 2019, ele recebeu o Prêmio Genesis, popularmente conhecido como o "Nobel Judeu". A honraria foi entregue pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu — de quem é próximo.

Ao aceitar o prêmio, ele solicitou que o milhão de dólares envolvido fosse destinado a iniciativas voltadas ao combate ao antissemitismo e à "deslegitimação" de Israel. Amigo de Trump Veículos de imprensa dos EUA afirmam que Kraft é amigo de Donald Trump há aproximadamente 25 anos, uma relação que passou por períodos de proximidade e distanciamento.

Embora Kraft tenha alegado em 2014 que não falava com Trump há vários anos, os dois mantiveram uma relação cordial antes e depois da eleição de 2016, e foram vistos juntos no segundo mandato do presidente republicano. Kraft compareceu ao casamento de Trump e também foi visto em seu camarote na estreia de "Melania", o documentário sobre a vida da primeira-dama.

Kraft compareceu à estreia do filme 'Melania', sobre a vida da esposa de Donald Trump Getty Images/Via BBC O episódio envolvendo Macklemore destaca a influência que o bilionário exerce não apenas na indústria do entretenimento, mas também na política americana. A família Kraft está entre as mais proeminentes na filantropia. Seus quatro filhos com a falecida esposa Myra — Jonathan, Daniel, Josh e David — estão ativamente envolvidos na administração dos negócios e franquias do conglomerado familiar.

Assim como o pai, eles apoiam diversas instituições de caridade e iniciativas relacionadas a crianças, saúde, esportes juvenis e direitos das mulheres, tanto nos EUA quanto em Israel. Kraft também é membro emérito do conselho da Universidade Columbia e do Instituto de Câncer Dana-Farber, e atuou nos conselhos de instituições como o Boston College, o Carnegie Hall e o Apollo Theater. Ele também foi membro do Banco da Reserva Federal de Boston.

Em 1994, comprou o New England Patriots por US$ 172 milhões. Atualmente, a franquia está avaliada em US$ 10,6 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões), tornando-a uma das mais valiosas do esporte americano. A maior polêmica da carreira de Ed Sheeran O cantor Ed Sheeran Getty Images/Via BBC Enquanto isso, muitos vêem Ed Sheeran passando pela pior crise de sua carreira.

Parte do seu apelo — além das suas músicas cativantes — está na sua imagem de bom moço, até mesmo de uma pessoa comum. Por anos, ele cultivou cuidadosamente uma imagem pública amigável e acessível. Mas é precisamente isso que agora pode se voltar contra ele, de acordo com Mark Savage, jornalista musical da BBC.

Ele afirma que Sheeran não quer usar sua visibilidade para questões políticas. Críticos apontam que Macklemore é um velho amigo e que Sheeran lavou as mãos no imbróglio. Para o jornalista Jeffrey Ingold, a aparente aceitação da retirada do rapper por parte de Sheeran é um ato de covardia.

"Ele é um dos músicos mais importantes do mundo. Ele tem poder e influência. E, essencialmente, ele lavou as mãos, dizendo: 'Esta não é minha responsabilidade'", disse Ingold à BBC.