Motoristas entram no Indubrasil para fugir da balança do DNIT O tráfego intenso de caminhões e carretas tem causado transtornos aos moradores do bairro Indubrasil, em Campo Grande. Segundo os moradores, motoristas de veículos pesados utilizam as ruas do bairro como rota alternativa para fugir de uma balança de fiscalização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), instalada na BR-262.

Mesmo com placas que proíbem a circulação de veículos pesados, caminhões carregados com minério, cimento e calcário passam diariamente pelas ruas residenciais. O movimento preocupa principalmente famílias com crianças, já que escolas, creches e estabelecimentos comerciais ficam no trajeto utilizado pelos motoristas. Poeira, buracos no asfalto e risco de acidentes estão entre as principais reclamações.

A dona de casa Mônica Pereira da Silva tem oito netos e conta que vive preocupada quando as crianças saem para brincar ou ir à escola. Segundo ela, além do risco de atropelamento, a poeira levantada pelos caminhões prejudica a rotina da família. "A gente não pode deixar as crianças vindo do colégio sozinhas com essas carretas.

É carro demais, é poeira, é tudo aqui. Nada para limpo. Todos os dias as crianças estão no posto de saúde por causa da poeira", relatou.

A preocupação é compartilhada pela dona de casa Keli Marques da Silva, que também precisa redobrar os cuidados com os filhos. Ela afirma que os veículos passam em alta velocidade e que o problema persiste há mais de um ano. "Passam correndo demais, é um perigo.

Já tem mais de um ano que eu moro aqui e está assim. Pode ter um acidente, com crianças, com adultos", disse. Além da insegurança no trânsito, a poeira é outro problema enfrentado pelos moradores.

O montador Jonathan Costa dos Santos registrou em vídeo a sujeira acumulada dentro de casa e relatou dificuldades para respirar. "A gente fica sentindo um pouco de dificuldade de respirar. É poeira, bagunça, buracos em todo canto", afirmou.

O montador Pedro Henrique de Freitas também reclama da quantidade de poeira levantada pelos veículos. "Bastante caminhão, bastante ônibus e a gente passa, é aquela poeira no rosto da gente.A gente sai com a roupa branca e, quando volta, é aquela situação", contou.

Caminhões invadem bairro para fugir de balança em Campo Grande TV Morena Moradores denunciam desvio de fiscalização Segundo os moradores, o problema se intensificou devido à instalação de uma balança móvel de fiscalização do DNIT na BR-262, próximo à rotatória de entrada da cidade. Eles afirmam que motoristas de caminhões e carretas deixam de passar pelo equipamento de pesagem e entram nas ruas do Indubrasil para evitar a fiscalização. A balança funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h.

Conforme os relatos, o fluxo de veículos pesados dentro do bairro é maior entre 8h e 11h. O aposentado Lourival Pereira Dantas afirma que caminhões que saem de pedreiras e outros veículos de carga utilizam as ruas residenciais como se fossem uma rodovia. "Todas as carretas que saem da pedreira e todos os caminhões pesados que vêm desviam por dentro do bairro, como se fosse uma BR.

Então teria que tirar a balança para poder resolver o nosso problema", relatou. Além do tráfego intenso, moradores reclamam da sinalização nas proximidades da balança. Segundo eles, a organização do trânsito no trecho causa confusão entre os motoristas e aumenta o risco de acidentes.

O presidente da Associação de Moradores, Ademir Bueno Jacó, lembra que um acidente recente deixou uma mulher ferida. Segundo ele, a presença de carretas teria prejudicado a visibilidade de um motorista, que acabou se envolvendo em uma colisão. Moradores cobram providências Moradores e comerciantes afirmam que já procuraram as autoridades para solicitar a mudança do local da balança de fiscalização.

Segundo eles, até o momento, as principais medidas adotadas foram a instalação de quebra-molas e de placas indicando o limite de peso permitido nas ruas. O comerciante Celso Silva Machado conta que chegou a procurar o DNIT para apresentar as reclamações da comunidade. Ele afirma que recebeu a informação de que a mudança da balança dependeria de uma estrutura adequada para os servidores responsáveis pela fiscalização.

"Eu questionei porque eles são donos das rodovias. Podiam fazer uma base com uma tenda para abrigar o pessoal, em vez de transferir o transtorno para a população que não tem nada a ver com isso", afirmou. O que dizem o DNIT e a Agetran Em resposta à reportagem, o DNIT informou que tem conhecimento da circulação de caminhões pelas ruas do Indubrasil para evitar a balança de fiscalização e que atua dentro de suas competências para coibir a prática.

O departamento também afirmou que está à disposição para trabalhar de forma integrada com a Prefeitura de Campo Grande na busca por soluções. Já a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) informou que realiza fiscalizações no trecho e que adotou medidas de ordenamento viário, incluindo a instalação de sinalização e dispositivos de segurança. A agência afirmou ainda que pretende discutir a situação com o DNIT para avaliar novas medidas, considerando as responsabilidades dos órgãos federal e municipal.

Nenhum dos órgãos informou prazo para solucionar o problema.