Golpe do falso advogado usa informações de processos para cobrar dinheiro de vítimas Informações públicas de ações judiciais têm sido utilizadas por criminosos para aplicar o chamado "golpe do falso advogado". O motorista Luiz Carlos Rodrigues, de Palmas, foi vítima e relata que a abordagem é feita de forma idêntica à de um profissional real, pois os golpistas detalhavam dados de um processo que ele movia na Justiça desde 2016 sobre a compra de um terreno.
A fraude consiste em entrar em contato com partes envolvidas em processos reais, utilizar fotos e nomes de profissionais verdadeiros e exigir transferências em dinheiro sob a alegação de liberação de valores de causas ganhas. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp "Eu recebi a ligação dizendo que tinha uma causa ganha por danos morais de um terreno que eu havia comprado e que esses danos morais me dariam R$ 20 mil — R$ 17 mil de lucro e R$ 3 mil para o escritório.
A coisa é tão real que a pessoa acaba sendo iludida. Parece que ela é hipnotizada a fazer o que eles pedem", contou. Seguindo as instruções dos golpistas, o motorista inseriu um link enviado pelo aplicativo de mensagens para fazer um Pix.
O prejuízo foi imediato: quase R$ 30 mil foram retirados de sua conta bancária. Criminosos utilizam dados públicos da Justiça para exigir falsos pagamentos via Pix no WhatsApp Reprodução/TV Anhanguera O caso do motorista reflete uma prática que atinge milhares de brasileiros. Segundo dados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), até dezembro do ano passado, mais de 17,5 mil pessoas relataram ter sido vítimas dessa modalidade no país.
O número real pode ser ainda mais expressivo, já que muitas vítimas registram queixa diretamente na polícia, sem comunicar à Ordem. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou mais de 2 milhões de casos de estelionato em 2025. Quase a totalidade dos golpes do falso advogado é praticada pelo WhatsApp, a partir de dados e nomes reais de advogados extraídos de processos públicos.
LEIA TAMBÉM: Mulher vai parar debaixo de ônibus após acidente e é resgatada com ajuda de pedestres no TO; VÍDEO Mulher morre ao ser atropelada por carro na região sul de Palmas Motociclista de 48 anos morre após acidente com carreta no TO Além das fraudes virtuais, a Polícia Civil investiga casos de atuação presencial.
Em Tocantinópolis (TO), um homem que se apresentava falsamente como advogado abriu um escritório físico na cidade no fim de 2024, atraiu dezenas de clientes e gerou um prejuízo estimado em R$ 20 milhões. "Essa pessoa apareceu em Tocantinópolis por volta do final de 2024, se apresentando como advogado.
Montou um escritório e, em determinado momento, juntamente com outras pessoas que davam apoio logístico, simplesmente desapareceu da cidade, deixando um prejuízo imenso para inúmeras pessoas de Tocantinópolis, da região do Bico do Papagaio, de Araguaína e do Maranhão", afirmou o delegado Tiago Daniel. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO) ajuizou em janeiro de 2025 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal para buscar mais segurança aos usuários.
A ação civil mirava bancos, operadoras de telefonia e empresas de tecnologia, solicitando medidas urgentes de prevenção, como o bloqueio ágil em cadeia de transferências via Pix, a remoção rápida de perfis falsos nas plataformas digitais e maior rigor na abertura de contas e linhas telefônicas. Além de pedir a condenação solidária das companhias ao pagamento de indenizações por danos morais coletivos e individuais. Como se proteger?
O delegado explicou formas de se proteger desse tipo de golpe e prever uma situação suspeita: Use os contatos oficiais já cadastrados: O cientista da computação Evaldo Reis orienta não interagir com números novos. "Procure utilizar o telefone do seu advogado que você já tem no seu cadastro e não responda a esse número novo que você está recebendo por WhatsApp", destacou.
Desconfie de pedidos de Pix para liberar valores: A Justiça e os escritórios de advocacia não exigem depósitos prévios por links ou chaves Pix para liberação de indenizações ou precatórios. Confirme o registro na OAB: Antes de contratar um serviço jurídico, consulte o Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) no site da OAB para checar a situação cadastral do profissional. Busque referências antes de contratar: O delegado Tiago Daniel reforça a importância de indicações confiáveis.
"Uma indicação de outras pessoas é algo muito válido nesse momento, até porque é uma relação de confiança entre a pessoa e o profissional", orientou. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
