Delegado explica investigação sobre morte de brigadista do Ibama no Tocantins A morte do brigadista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Sidiney de Oliveira Silva, de 44 anos, teve como uma das motivações o combate à exploração ilegal de gado na Ilha do Bananal, conforme o delegado Joadelson Rodrigues Albuquerqu. Outra motivação está relacionada a um suposto relacionamento extraconjugal da vítima com a esposa de um dos suspeitos de ser mandante do crime.
Sidiney foi assassinado a tiros na porta de casa no dia 15 de junho de 2024, em Formoso do Araguaia, na região sul do Tocantins. A conclusão do inquérito pela 3ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Gurupi, na manhã desta quarta-feira (7), resultou no indiciamento de três pessoas: dois agropecuaristas apontados como mandantes e articuladores e um policial militar acusado de ser o executor dos disparos. O g1 não conseguiu contato com a defesa dos investigados.
Sobre o policial, a PMTO informou que o militar, que já estava preso, foi alvo de um novo mandado de prisão. Segundo a corporação, o caso é investigado pela Polícia Civil e está sob responsabilidade da Justiça Comum. (Leia abaixo).
📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Durante entrevista à TV Anhanguera, o delegado regional informou que a investigação identificou que a ofensiva contra a pecuária clandestina em território protegido teve papel central na trama criminosa.
"A motivação mais premente, mais grave, nós entendemos que é a motivação econômica, porque o Sidney interferia diretamente na exploração de gado na Ilha do Bananal, em contato direto com as emissoras de televisão e com o próprio Ministério Público Federal, porque lá é uma área de proteção ambiental", destacou Joadelson Albuquerque.
LEIA TAMBÉM Morte de brigadista do Ibama teria sido motivada por suposto relacionamento extraconjugal, diz polícia PM investigado por morte de brigadista do Ibama tinha celular e carregadores de arma em cela, diz polícia Dois agropecuaristas e um PM são alvos de operação que investiga morte de brigadista do Ibama Sidiney atuava pelo programa Prevfogo, do Ibama, e tinha anos de experiência na preservação ambiental na região da Ilha do Bananal e nas terras indígenas do Parque Nacional do Araguaia.
Segundo a polícia, o ambientalista costumava combater o avanço de rebanhos bovinos em áreas proibidas e denunciar invasões aos órgãos fiscalizadores federais. Além do incômodo econômico causado aos investigados, o delegado informou que outro agropecuarista, identificado como L.V.M.S. e apontado como principal mandante do crime, confessou à polícia ter contratado os executores por R$ 50 mil.
Segundo a investigação, ele alegou que o brigadista teria mantido uma relação extraconjugal com sua ex-companheira. "Um dos mandantes descobriu que a vítima teria mantido uma relação extraconjugal com a sua ex-companheira, porque naquele momento ele estava separado, mas mesmo assim entendeu que deveria contratar uma pessoa para ceifar a vida [de Sidiney]", explicou Albuquerque.
Conforme as investigações, a vingança pessoal e o interesse em frear as denúncias ambientais fizeram com que os agropecuaristas indiciados contratassem o policial militar para assassinar o servidor. Sidiney Oliveira atuava na fiscalização da Ilha do Bananal e foi morto a tiros na porta de casa Reprodução/TV Anhanguera Como o crime foi contratado A SSP afirmou que o crime foi encomendado por L.V.M.S., identificado como principal mandante do homicídio.
Ele teria contratado o executor, mediante intermediação do segundo investigado, e acertado valores para a ação contra a vítima. A motivação dele foi passional e está relacionada a um suposto relacionamento extraconjugal da vítima com sua companheira. O segundo investigado foi apontado como intermediador e articulador do crime e foi identificado pelas iniciais W.V.A.
Segundo a decisão da Justiça, ele mantinha contato com o executor e encaminhou fotografias da vítima. Para a polícia, esse suspeito tinha motivação própria para o crime, decorrente de prejuízos econômicos com fiscalizações ambientais e denúncias feitas pela vítima na Ilha do Bananal. Já o policial militar foi identificado como executor do homicídio.
Segundo a polícia, diferentes elementos reunidos ao longo do inquérito apontaram sua participação direta na execução. Medidas determinadas pela Justiça O policial militar teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, mas, como está preso em razão de outro processo, a ordem foi cumprida no Batalhão da PM onde ele está detido. O investigado W.V.A.
também teve a prisão preventiva decretada, mas a medida acabou sendo substituída por prisão domiciliar em razão da idade avançada e das condições de saúde dele. Para L.V.M.S., foram aplicadas medidas cautelares diversas da prisão, incluindo monitoração eletrônica, proibição de deixar a comarca de Formoso do Araguaia sem autorização e de se comunicar com os demais investigados. Segundo a polícia, ele confessou sua participação no crime.
A decisão também estabeleceu que os investigados estão proibidos de manter contato entre si, por qualquer meio, ou de contatar e se aproximar das testemunhas e familiares da vítima. Íntegra da nota da Polícia Militar A Polícia Militar do Tocantins (PMTO) informa que tomou conhecimento do novo mandado de prisão expedido pela Justiça em desfavor de um policial militar da Corporação, que já se encontrava custodiado em razão de decisão judicial anterior.
O novo mandado está relacionado à investigação de competência da Justiça Comum, conduzida pela Polícia Civil do Estado do Tocantins. Dessa forma, informações relativas às circunstâncias investigadas e ao eventual envolvimento do policial devem ser prestadas pelos órgãos responsáveis pela investigação. No âmbito administrativo, a Corregedoria-Geral da PMTO adotará as providências pertinentes, observadas suas atribuições legais, a partir do acesso formal aos elementos relacionados à nova ordem judicial.
Quanto à situação funcional, o policial militar permanece vinculado à Corporação, com a manutenção de sua remuneração nos termos da legislação vigente, enquanto não houver decisão administrativa ou judicial que determine eventual alteração dessa condição. A medida decorre das normas que regem o vínculo funcional e não interfere na apuração dos fatos, que segue pelos procedimentos competentes.
A Polícia Militar do Tocantins reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a observância dos princípios éticos e disciplinares que regem a Instituição. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
