Escolha do nome pode afetar o comportamento de pets; entenda Mesmo com incontáveis apelidos, ao serem adotados, os pets recebem um nome específico de batismo. Apesar de parecer uma escolha simples, especialistas explicam que definir como o animal vai se chamar é uma decisão que afeta diretamente a rotina dele.
Ao g1, Natasha Marcili Laganaro, bióloga e adestradora em Sorocaba (SP), explicou que o nome do pet pode influenciar na forma como ele assimila comandos, responde às emoções do tutor e se conecta com a família. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Natasha explica que os animais precisam, antes de qualquer coisa, saber quem são. A clareza é importante e o nome auxilia a manter tudo referente ao animal mais claro e objetivo.
"O nome é importante; cães e gatos respondem a emoções e se conectam por meio da identidade que passamos a eles. Por isso, escolher um nome que lhe traga boas emoções será o melhor caminho. Ambos, contudo, precisam ser ensinados ao nome que recebem, e às vezes falhamos nisso", aponta.
Sons mais fortes e curtos são mais fáceis de serem assimilados; assim, nomes que contêm a vogal "a" ganham muito mais atenção do que aqueles com a vogal "i", explicou. A especialista ressalta ainda que, como os animais gravam melhor o início do nome, o ideal é evitar termos cuja primeira sílaba coincida com sons usados em comandos, como "xi", "hei" e "ão".
LEIA TAMBÉM: Outubro Rosa Pet: saiba sinais, prevenção e tratamento do câncer de mama em cães e gatos Doença de pele: saiba como identificar os primeiros sinais em cães e gatos Você tem alergia ao próprio pet? Veja cuidados para aliviar sintomas "Nomes muito longos perdem força. Isso não quer dizer que você não possa usá-los se forem significativos, mas é preciso entender que o animal pode não gravar o nome inteiro e perder o interesse no meio da palavra.
Recomendo nomes mais curtos", aconselha. Apelidos também podem ser aprendidos, desde que os tutores garantam que o pet reconheça primeiro o nome principal antes de atender às derivações. Natasha Marcili Laganaro é bióloga e adestradora de Sorocaba (SP) Arquivo pessoal Amanda do Amaral Moreira, médica veterinária e adestradora de cães, reforça que o nome funciona como um sinal para direcionar a atenção do pet no cotidiano.
Segundo ela, o som deve ser sempre sinônimo de oportunidade, nunca de ameaça ou cobrança. "O animal aprende que aquele som tem um significado especial por meio da repetição e das associações que construímos no dia a dia", destaca. Embora cães e gatos reconheçam a sequência sonora, Amanda lembra que há diferenças: enquanto cães costumam demonstrar maior predisposição para interagir, os gatos podem perfeitamente reconhecer que estão sendo chamados e, ainda assim, decidir continuar o que estavam fazendo.
Amanda do Amaral Moreira, de Sorocaba (SP), é médica veterinária e adestradora de cães Arquivo pessoal Exercício de musculação com excesso de fofura Para alguns, o supino inclinado é apenas mais um exercício de musculação, mas para a monitora de cães Marcella Botelho Maciel, também de Sorocaba, Supino é um membro da família. O gatinho Supino Miguel foi batizado assim porque o exercício com halteres é o favorito de Marcella e do marido na academia.
Supino Miguel é o gatinho de Marcella Botelho Maciel, de Sorocaba (SP) Marcella Botelho Maciel/Arquivo pessoal "De início, era Supino Inclinado com Halteres, mas o nome não combinou e acabou ficando Supino Miguel, porque eu gosto muito de nomes compostos", disse. Além do Supino Miguel, Marcella e o marido também têm o cachorro Koda da Silva Sauro e as gatinhas Mikasa Maria de Jesus e Neliel Pastel.
Cada um tem apelidos específicos: Koda também é chamado de Pituco, Mikasa de Mikatinha, Neliel de Pretinha e Supino de Pepino. O nome Koda veio da animação da Disney "Irmão Urso", enquanto Mikasa e Nelliel foram inspirados em animes. "Todos sabem qual é o nome de cada um, seja o oficial ou o apelido.
Independente disso, todos atendem quando são chamados porque criei essa identidade desde que eram pequenininhos", destacou Marcella.
Além do Supino Miguel, Marcella e o marido também têm o cachorro Koda da Silva Sauro, as gatinhas Neliel Pastel e Mikasa Maria de Jesus como membros da família em Sorocaba (SP) Marcella Botelho/Arquivo pessoal Nome de novelas Em Itapetininga (SP), a especialista em comércio exterior, Fabianne Teles Bosco, tem uma cachorrinha de olhos esbugalhados chamada Juma Helena, fazendo referência a personagem Juma Marruá, a protagonista da novela Pantanal e às Helenas que foram as protagonistas famosas das novelas escritas pelo autor brasileiro Manoel Carlos, o Maneco.
Em Itapetininga (SP), Fabianne Teles Bosco tem uma cachorrinha de olhos esbugalhados chamada Juma Helena Fabianne Teles/Arquivo pessoal "Eu senti no meu coração para escolher esse nome. A Juma foi minha mãe quem sugeriu, porque ela foi achada num banhado em Alambari (SP), e o Helena, primeiro, foi porque eu pedi para uma pessoa chamada Maria Helena fazer o meu pai deixar eu ficar com ela e por causa das Helenas do Maneco", contou.
Depois de definir o nome e o nome composto, Fabianne disse que precisava dar um nome completo à cachorra, que foi chamada de Juma Helena do Senhor. "A gente só chama ela pelo nome composto, já é costume falar 'Jumelena'. Como o primeiro nome termina em vogal e o segundo inicia com vogal, vira uma palavra só.
Eu acho até satisfatório falar 'Jumelena". Juma Helena é uma cachorrora de Itapetininga (SP), adotada por Fabianne Teles Fabianne Teles/Arquivo pessoal Apesar de não morar mais com os pais e a cachorrinha, Fabianne também adotou Chico Menino Heleno Batata, a irmã dele Nikolina Menina Helena Batata, ou apenas Nina, e Bebel, que ainda mora junto com a Juma Elena. "Eu acho que o nome tem que ser único.
Não gosto da ideia de pôr nomes diferentes que ficaram famosos tipo 'Cleitinho', 'Amora', não sei o que. Eu acho que tem ser único e sonoro. Eu gosto de falar o nome da Juma, por exemplo, Juma Helena do Senhor fui eu quem inventei", disse.
Além de Juma Helena, Fabianne Teles, de Itapetininga (SP), adotou os irmãos Chico e Nina e Bebel Fabianne Teles/Arquivo pessoal Doces franceses que miam O jornalista Artur Vergennes, de Sorocaba, fã de programas culinários, escolheu os nomes de suas gatas após assistir a um episódio em que os participantes preparavam receitas com Praliné. Quando decidiram adotar mais uma gatinha, ele e o companheiro escolheram Éclair para manter o tema.
As gatinhas de pelos claros são irmãs e foram adotadas da mesma ninhada em novembro de 2019, quando tinham aproximadamente um mês e meio de vida. "A história dos nomes começou antes mesmo da adoção. Um dia, eu e o meu companheiro estávamos assistindo à TV, com o ventilador ligado por causa do calor, quando ele começou a fazer um barulho que parecia um miado.
Aquilo virou piada e decidimos que, se tivéssemos uma gata, ela se chamaria Praliné, nome inspirado em um doce que apareceu no programa de culinária que estávamos assistindo", contou.
Gatas do jornalista Artur Vergennes, de Sorocaba (SP), Praliné e Éclair Artur Vergennes/Arquivo pessoal O que o casal não contava era que na hora de adotar, a responsável pelos filhotes contou que duas irmãs só conseguiam dormir juntas, foi então que acabaram levando as duas para casa e, para manter a mesma ideia do doce francês, a segunda foi batizada de Éclair. Segundo Artur, as duas respondem quando são chamadas pelos nomes. "Quando ouvem os nomes, costumam vir até nós.
A Praliné, inclusive, responde com miados mais altos, enquanto a Éclair costuma dar miadinhos finos e ronronar. É interessante perceber que cada uma tem seu próprio jeito de responder, como se participassem da conversa", disse o jornalista. O casal nunca ensinou comandos às gatinhas, mas percebe que elas respondem de maneiras diferentes dependendo do tom de voz que usam para falar com elas.
Praliné, por exemplo, costuma responder mais rapidamente quando prolongam a última sílaba do nome dela: "Pralineééééé!". Artur Vergennes, de Sorocaba (SP), escolheu os nomes de suas gatas depois de assistir a um episódio em que os participantes fizeram versões de Praliné e Éclair Artur Vergennes/Arquivo pessoal "As duas também parecem perceber quando estamos chamando com carinho ou quando queremos que parem de fazer alguma coisa, como subir nas prateleiras para derrubar objetos.
Acho que a entonação faz mais diferença do que o tamanho do nome". Para Artur, escolher o nome de um pet é uma das primeiras demonstrações de carinho que um tutor pode ter com seu animal. No caso dele e do marido, como um dos nomes surgiu antes mesmo de decidirem adotar, ele já veio carregado de história.
"Talvez elas não saibam que Praliné e Éclair são, de fato, os nomes que escolhemos para elas, mas aprenderam a reconhecer essas palavras e a entender quando estamos falando com elas ou sobre elas. E acho que isso é o mais interessante: o nome começa como uma escolha nossa, mas, com o tempo, passa a fazer parte da relação que construímos com elas", destacou.
Praliné e Éclair são da mesma ninhada e foram adotadas em novembro de 2019, em Sorocaba (SP) Artur Vergennes/Arquivo pessoal Não é 'Lion', é 'Lêon' O cachorro Leon, de 9 anos, fruto de uma mistura de labrador com pastor alemão, é o companheiro do seo Aloísio José da Silva, de Tatuí (SP).
O aposentado, de 85 anos, ficou famoso na internet por jogar videogames e ser fã de Resident Evil, e batizou seu cachorro com este nome em homenagem ao protagonista do seu jogo favorito da franquia, Leon Scott Kennedy, que aparece nos jogos 2, 4, 6 e 9. Luís adotou o cachorro em 2016 e o apelidou de 'Leon' em homenagem ao jogo favorito Aloísio da Silva/Arquivo pessoal/ Capcom/Reprodução Apesar da grafia em inglês, a versão adotada foi a abrasileirada "Lêon", com tônica na primeira sílaba.
"Ele é muito inteligente e entende tudo, desde filhote. Desde pequeno ele sabia que estava sendo chamado, mas se esconde se a gente falar bravo com ele porque sabe que fez coisa errada", disse Aloísio. O cachorro entende comandos.
Leon sabe "dar a pata", ficar parado e procurar por objetos perdidos quando recebe as ordens.
Cachorro Leon, fruto de uma mistura de labrador com pastor alemão, é o companheiro do seo Aloísio José da Silva, de Tatuí (SP) Isabella Silva/Arquivo pessoal Comandos e adestramento A adestradora Adriana explicou que uma maneira simples de avaliar o aprendizado do animal e entender se ele reconhece o próprio nome é chamá-lo em um ambiente tranquilo, sem distrações excessivas, e observar se ele direciona a atenção para o tutor.
"Essa resposta pode aparecer como um movimento das orelhas, uma virada de cabeça, contato visual ou aproximação. No início, podemos pronunciar o nome uma única vez e recompensar imediatamente qualquer resposta de atenção. Conforme o aprendizado evolui, aumentamos gradualmente as distrações e a dificuldade do ambiente", explicou.
A adestradora não recomenda gritar o nome em casos de correção ou bronca. Se o nome é frequentemente associado a situações desagradáveis como gritos, punições ou interrupções aversivas, o pet pode passar a provocar esquiva, medo ou desinteresse ao ser chamado. "Costumo orientar que o nome seja um convite para o animal prestar atenção no tutor, e não um aviso de que algo ruim está prestes a acontecer.
Se precisamos interromper um comportamento inadequado, o ideal é trabalhar sinais específicos, manejo ambiental e ensinar comportamentos alternativos, em vez de transformar o nome em uma ferramenta de repreensão", afirma. Consoantes com articulação mais marcada, como P, T, K e B, podem produzir contrastes acústicos perceptíveis, segundo a profissional, mas não existe evidência científica robusta que permita afirmar que determinadas consoantes sejam universalmente melhores para nomes de cães e gatos.
O mais importante é que o nome seja pronunciado de maneira relativamente consistente e seja facilmente distinguível de outros sinais utilizados pela família. Bebel é companheira em todos os momentos de descanso de Fabianne Fabianne Teles/Arquivo pessoal Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
