Erosão costeira e avanço do mar são investigados por equipe multidisciplinar em Atafona Uma equipe multidisciplinar começou a investigar o avanço do mar em São João da Barra, no Norte Fluminense. O estudo tem investimento de R$ 5,6 milhões e será conduzido pela SEACaruso, subsidiária do Grupo Caruso, que foi contratada pela prefeitura após processo de licitação. Há pelo menos sete décadas, os distritos de Atafona e Açu sofrem com a erosão costeira provocada pelo fenômeno, que já atingiu sete quarteirões.
Segundo dados de monitoramento da Universidade Federal Fluminense (UFF), desde a década de 1950, o mar já levou mais de 500 casas e um prédio. Os trabalhos de campo do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), começaram nesta terça-feira (6), e é conduzido pela e a partir da próxima semana envolverá a escuta da comunidade, com a entrevista de, pelo menos, 211 moradores, em módulos de atendimento instalados em Atafona e Açu. 📱 Siga o canal do g1 Norte Fluminense no WhatsApp.
Estudos históricos analisados apontam perdas e danos em até sete quarteirões da costa até 2019. Divulgação Equipe multidisciplinar A investigação da erosão costeira nos distritos tem previsão de duração de 18 meses e reúne profissionais de 29 áreas diferentes. Ao g1, Francisco Caruso Jr., geocientista e CEO do Grupo Caruso, disse que os trabalhos de campo estão avançando por etapas.
Neste momento, a equipe se prepara para realizar perfis de praia, levantamento que depende de condições adequadas da maré. "Estamos aguardando apenas a quadratura da lua para ter uma condição propícia para esse tipo de levantamento.
Em seguida, começaremos a etapa de levantamentos oceanográficos, com medições de marés, correntes e ondas, além de uma série de estudos no meio aquático que vão fornecer subsídios para a modelagem que estamos propondo realizar, a fim de identificar as melhores alternativas para conter a erosão costeira no município", explicou.
Os dados servirão de base para subsidiar futuras decisões e projetos sobre intervenções na região, a partir de um diagnóstico detalhado da dinâmica do fenômeno, que vem afetando a rotina de moradores, como é o caso de Lúcia Helena, ouvida pelo g1. Marisqueira de 58 anos, moradora de Atafona há mais de 40 anos. Ela perdeu a casa e teve o trabalho interrompido.
"Eu perdi a minha casa em 2021 e senti uma tristeza imensa, porque perdi muitas coisas, incluindo os meus móveis. Consegui um aluguel social, mas os vizinhos também foram afetados. Eu trabalhava no meu quintal, onde limpava peixe e camarão", disse.
Perdas em sete quarteirões Pesquisas anteriores apontam comportamentos diferentes ao longo da costa de São João da Barra, é o que explica a oceanógrafa Clarissa Menin, diretora técnica da SEACaruso Soluções Oceânicas & Energias Renováveis, responsável pela condução do EVTEA. Em Atafona, na foz do rio Paraíba do Sul, por exemplo, estudos históricos analisados apontam perdas e danos em até sete quarteirões da costa até 2019. Enquanto em alguns trechos mais ao sul, foi observado avanço da faixa de areia.
"Precisamos agora aprofundar essa compreensão e entender como oceano, rio, sedimentos, ambientes naturais e ocupação do território se relacionam”, conta Clarissa. Nesta primeira fase, as equipes iniciaram medições de correntes e níveis da água no rio Paraíba do Sul, além do monitoramento de ondas, correntes marítimas e sedimentos na faixa costeira.
Diagnóstico da população e possíveis soluções Pelo menos 211 moradores serão entrevistados pelo Trabalho Divulgação Para atender à população, serão instalados módulos de atendimento em Atafona e Açu. A partir da próxima terça-feira (13), os espaços funcionarão para esclarecimento de dúvidas e troca de informações entre moradores e a equipe técnica. Pelo menos 211 moradores serão entrevistados para registrar percepções sobre as mudanças na costa e atividades ligadas à pesca, navegação, turismo e lazer.
Após a etapa de campo, os dados serão integrados a modelos matemáticos que simularão o comportamento de ondas, correntes e sedimentos. Entre as alternativas que poderão ser avaliadas estão a reposição de areia, a recuperação de praias e dunas e a implantação de estruturas de proteção costeira.
Ao final dos 18 meses, o EVTEA deverá consolidar uma base técnica, ambiental, econômica e social para orientar futuras decisões sobre o enfrentamento da erosão costeira em Atafona e no Açu e apoiar a busca por recursos para eventuais obras. Os espaços funcionarão para esclarecimento de dúvidas e troca de informações com moradores. Divulgação
