Hidrômetro da Sabesp Júlia Guimarães/g1 Os furtos de hidrômetros dispararam no estado de São Paulo em 2026. Dados da Sabesp obtidos pelo g1 mostram que 23.724 equipamentos foram furtados no primeiro semestre deste ano, o equivalente a 131 casos por dia. O número representa um aumento de 74,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 13.579 ocorrências do tipo.
Na capital paulista, os casos saltaram de 6.447 para 10.206, crescimento de 58,3%. Também conhecido como relógio ou medidor de água, o hidrômetro é normalmente instalado na entrada de residências ou comércios para calcular o consumo daquele imóvel. Quando é removido de maneira irregular, causa vazamentos que podem desperdiçar até 100 litros de água por hora.
Cidades brasileiras registram aumento de furtos de hidrômetros Assim como fiações elétricas, o que torna o aparelho atrativo para os ladrões é o material: a maior parte de sua estrutura é feita de latão, uma liga metálica composta por zinco e, principalmente, cobre. Não por acaso, a disparada dos furtos ocorre em meio à valorização internacional desses metais. O cobre, usado em diferentes componentes elétricos e industriais e frequentemente alvo de criminosos, atingiu patamar recorde em 2026.
A cotação atual na Bolsa de Metais de Londres é de aproximadamente US$ 14,751 por tonelada – equivalente a R$ 74.209 com o dólar a R$ 5,03. Segundo Luiz Renato Fraga Rios, diretor de proteção da receita da Sabesp, na maioria dos casos monitorados os criminosos são pessoas em situação de vulnerabilidade que vendem os hidrometros para comprar drogas. Depois de furtados, em geral os equipamentos vão parar em ferros-velhos, onde são processados e depois reintroduzidos no mercado legal.
Este é o terceiro ano consecutivo de alta nos furtos de hidrômetros em São Paulo. Os registros estão espalhados por 180 dos 376 municípios atendidos pela Sabesp. Além da capital, os maiores números absolutos no primeiro semestre de 2026 foram observados em Guarulhos (1.068 casos), Osasco (974), Santo André (845), Carapicuíba (734) e Santana de Parnaíba (550).
Algumas cidades tiveram aumento mais acelerado que a média estadual, como Barueri, onde os furtos passaram de 45 para 400 ocorrências em um ano, e São Bernardo do Campo, com salto de 116 para 482 casos. Privatizada em 2024, durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Sabesp é responsável pelo abastecimento de água para aproximadamente 30 milhões de pessoas em 376 municípios paulistas. Dos cerca de 10 milhões de hidrômetros instalados pela empresa, 95% ainda são feitos com material metálico.
Segundo a companhia, o aumento dos furtos tem motivado a substituição dos equipamentos por modelos menos vulneráveis. "É um problema generalizado no país e está fazendo a gente adotar de forma mais massiva os medidores feitos em composite, que é um material plástico sem valor nenhum para essa venda ilegal", afirma Luiz Renato Fraga Rios.
A Sabesp iniciou no ano passado a substituição de 4 milhões de hidrômetros por modelos "inteligentes" que, além de serem feitos em plástico, são equipados com localizador que permite o rastreamento. A ação ocorre em São José dos Campos, onde a troca deve terminar no início de 2027, e na cidade de São Paulo, com prazo até 2029. O diretor calcula um custo médio de R$ 100 para a Sabesp repor cada equipamento furtado.
No primeiro semestre, portanto, o prejuízo à companhia se aproxima dos R$ 2 milhões. "Esse prejuízo não é só da Sabesp, mas de toda a sociedade, pois o furto normalmente está associado a um grande vazamento de água, que pode interromper a distribuição local ou de uma determinada região. Precisamos combater esse crime também por causa do desperdício", disse Rios.
Sabesp vai instalar hidrômetros conectados à internet em São José A Sabesp tem um prazo regulatório de até 48 horas para substituir um hidrômetro em caso de furto. Não há custo para o cliente se ele fizer registro de boletim de ocorrência. Enquanto o imóvel permanece sem medidor, a cobrança da conta de água é calculada com base na média histórica de consumo.
A distribuidora afirma ainda que mantém contato com as forças de segurança para tentar identificar autores dos furtos e receptadores do material. Segundo a empresa, informações fornecidas por moradores, como imagens de câmeras de segurança e relatos de movimentações suspeitas, podem auxiliar investigações e contribuir para a redução desse tipo de crime. Questionada pelo g1, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não respondeu se tem alguma hipótese para explicar a explosão de furtos de medidores de água em 2026.
Por meio de nota, a pasta disse que "as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no combate aos crimes patrimoniais em todo o estado de São Paulo".
Homem foi preso no início de 2026 após ser pego com mais de 600 hidrômetros furtados em Botucatu Polícia Civil/reprodução De acordo com a SSP, o patrulhamento pela PM é reforçado nos locais de maior incidência criminal, enquanto ações da Polícia Civil buscam atingir não apenas aqueles que praticam os furtos, como também os responsáveis por comprar, descaracterizar e comercializar esse material. O objetivo, segundo a pasta, é "atingir a cadeia econômica que fomenta os furtos de fios, cabos, hidrômetros e metais".
A secretaria cita uma ação recente que prendeu cinco pessoas em flagrante em um ferro-velho clandestino no município de São João da Boa Vista (215 km da capital) por associação criminosa e receptação de diversos materiais metálicos, incluindo objetos reconhecidos por representantes da Sabesp. "Foram apreendidos aproximadamente 261 quilos de cobre queimado, além de fios, cabos, disjuntores, materiais hidráulicos e outros metais", diz a nota.
Segundo a SSP, as investigações prosseguem para identificar a origem dos materiais e a participação de outros envolvidos. O governo paulista também afirmou que o estado teve queda nos números gerais de furtos e roubos nos primeiros oito meses de 2026 e que 149.174 infratores foram presos ou apreendidos.
