Policiais entram em confronto com manifestantes durante um protesto de estudantes do ensino médio e universitários em Paris, em um dia nacional de manifestações e bloqueios apoiados por professores e pais de alunos para exigir melhores condições nas escolas da França. Abdul Saboor / Reuters A violência da polícia francesa ganhou destaque nesta quinta-feira (8), durante os confrontos com manifestantes na praça da Bastilha, em Paris.
Um estudante de 14 anos teve a mandíbula e vários dentes quebrados depois de ser atingido no rosto por uma granada de gás lacrimogêneo. O policial responsável pelo disparo foi detido e acusado de violência cometida por agente público que causou mutilação ou incapacidade permanente. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Milhares de estudantes, pais e professores participam de um ato contra as condições das escolas francesas.
Os protestos ocorrem em várias regiões do país e envolvem principalmente alunos do ensino médio. As mobilizações começaram em meados de setembro e ganharam força no fim do mês. Os manifestantes cobram mais investimentos, contratação de professores substitutos e melhorias na infraestrutura das escolas.
Nesta quinta, 375 escolas estavam total ou parcialmente fechadas, segundo o Ministério da Educação. Segundo o Ministério do Interior, 6.629 pessoas haviam sido presas desde o início dos protestos até esta semana. A maioria era menor de idade.
Durante as manifestações, também foram registrados confrontos, depredações e incêndios em alguns locais. Violência contra estudantes A atuação da polícia passou a ser alvo de críticas após adolescentes sofrerem ferimentos graves. Em Tours, na região do Loire, um adolescente de 16 anos sofreu perda parcial da visão.
O Ministério Público local suspeita que o ferimento tenha sido provocado por uma munição policial utilizada no controle de distúrbios. Em Lens, no norte do país, um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos ao tentar atirar uma granada policial de volta, contra os agentes na última quarta-feira (8). O ministro do Interior, Laurent Nuñez, suspendeu temporariamente o uso de um modelo de bombas de atordoamento até que as circunstâncias do caso sejam esclarecidas.
LEIA TAMBÉM Primeiro-ministro da França condena violência em protestos estudantis Alunos e professores protestam na França no maior dia da onda de mobilização Na França, protestos estudantis se espalham por 40 cidades Governo reage Os casos aumentaram a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu. O governo afirma que as forças de segurança intervêm quando há violência ou danos ao patrimônio.
Ao mesmo tempo, 18 investigações foram abertas para apurar possíveis abusos policiais durante os protestos. Nesta quinta-feira, o ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, deve anunciar as primeiras medidas concretas do governo para os estudantes durante o telejornal das 20h da emissora TF1. A decisão foi comunicada pelo gabinete do primeiro-ministro em meio à nova mobilização.
Os protestos aumentam a pressão sobre o governo de Emmanuel Macron, que está no fim do mandato. A França terá eleição presidencial em abril de 2027. Manifestações se espalham Pelo menos 12 atos de apoio ao movimento estudantil estavam previstos para esta quinta-feira em diferentes regiões da França.
Além das reivindicações ligadas à educação, sindicatos e grupos políticos passaram a participar das mobilizações. As autoridades também registraram a presença de pessoas sem ligação direta com o movimento estudantil. Na Bélgica, protestos semelhantes ocorreram em Liège, onde a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d’água para conter manifestantes.
Quase 90 pessoas foram presas e policiais ficaram feridos. O prefeito da cidade proibiu reuniões públicas até a meia-noite de 16 de outubro devido ao risco de novos confrontos. Os atos belgas incluem reivindicações por mais professores, turmas menores e mudanças nas políticas educacionais.
As manifestações são organizadas principalmente por grupos em aplicativos de mensagens e também foram influenciadas pelos protestos franceses. Na Itália, estudantes ocuparam escolas em cidades como Turim, Roma e Nápoles. As mobilizações têm menor escala e reúnem reivindicações variadas.
Entre elas estão melhorias nas condições dos prédios escolares, mais investimentos em educação, oposição ao aumento dos gastos militares e críticas a medidas relacionadas à imigração. Com Reuters, AP, AFP
