Entrevista exclusiva: Cleitinho fala sobre o desafio de montar o novo governo Em entrevista exclusiva ao g1 Centro-Oeste, Triângulo, Alto Paranaíba e Zona da Mata, Cleitinho falou sobre a mudança de papel na política, a relação com a cidade onde começou a carreira e os planos para o novo mandato. A trajetória política de Cleitinho Azevedo começou com 3.023 votos para vereador em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais e chegou, dez anos depois, ao comando do Estado.
Eleito governador, o político que construiu a carreira cobrando e fiscalizando o poder público agora terá de tomar as decisões que estarão sob os olhos de toda a população mineira. Veja a entrevista exclusiva concedida ao g1 no vídeo acima. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste no WhatsApp Entre os principais temas da conversa esteve a relação de Cleitinho com Divinópolis, cidade onde ele iniciou a trajetória política e construiu a base que o levou, em uma década, de vereador a governador eleito.
O vínculo com o município, segundo ele, continuará mesmo diante da nova responsabilidade, já que a partir de 2027, assumirá o comando de Minas Gerais e terá sob sua gestão as demandas dos 853 municípios mineiros, sem deixar de lado a cidade que considera o ponto de partida de sua carreira. Cleitinho Azevedo (Republicanos) - Governador de Minas Gerais - Divinópolis Anna Lucia Silva/g1 Antes de entrar para a política, Cleitinho construiu a vida profissional em Divinópolis longe dos cargos públicos.
Músico, atuava na cidade com apresentações e eventos e também trabalhava no varejão do pai com os irmãos. Na entrevista, ele relembrou esse período, contou que chegou aos 33 anos sem sequer ter título de eleitor e afirmou que, naquela época, “tinha nojo” da política. O governador eleito também falou sobre a articulação com os irmãos eleitos, Gleidson como deputado Federal e Eduardo Azevedo, reeleito deputado Estadual e com o senador eleito Domingos Sávio.
“Eu devo tudo a Divinópolis” Cleitinho atribui a Divinópolis parte importante da trajetória que o levou ao governo de Minas. Foi na cidade que ele começou a carreira política, eleito vereador em 2016 com 3.023 votos. Agora, eleito governador, ele afirma que pretende continuar próximo do município e manter a relação construída ao longo dos anos.
Para Cleitinho, cuidar de Divinópolis não significa deixar de olhar para as demais regiões do estado. “Eu devo tudo a Divinópolis (...) Então, a primeira coisa que aconteceu na minha vida na política foi em Divinópolis, foram os 3.023 votos que eu tinha para vereador, que me fez agora ter essa oportunidade de ser governador. Então, vou ser sempre grato", disse.
A relação com a cidade também aparece nas discussões sobre a destinação de emendas parlamentares. Cleitinho já foi alvo de críticas por concentrar parte dos recursos destinados por seu mandato na cidade e na região. Ele defendeu que a prioridade dada à cidade onde construiu sua carreira não significa deixar de atender outras regiões de Minas.
“Eu mandei recursos para o estado inteiro. Só que é minha casa, não adianta eu querer cuidar da casa dos outros se eu não estou cuidando da minha casa". Como governador, porém, ele reconhece que a responsabilidade será diferente.
“Então, agora eu virei governador, a cidade de Divinópolis vai ser penalizada porque o governador é de Divinópolis? Eu vou cuidar de todos e vou continuar honrando a minha cidade". De cobrador a cobrado: “eu vou virar vidraça” A chegada ao Executivo estadual muda a posição ocupada por Cleitinho na política mineira.
Como vereador, deputado estadual, deputado federal e senador, ele construiu a imagem política baseada principalmente em fiscalização, críticas e cobranças ao poder público. A partir de 2027, estará do outro lado, será responsável por decisões que também serão alvo de cobranças. O próprio governador eleito reconhece a mudança.
“Eu era sempre pedra. O que vai acontecer comigo agora é que eu vou virar vidraça, mas não tem problema nenhum, eu tenho a responsabilidade de entender que esse é o cargo mais importante da minha vida”. Para enfrentar o novo desafio, Cleitinho afirmou que pretende montar uma equipe técnica e escolher secretários especializados para cada área do governo.
Segundo ele, o governador não precisa dominar todos os setores da administração, mas deve saber escolher as pessoas que vão comandá-los. “O governo é uma empresa e cabe a você colocar as pessoas certas no lugar certo." Cleitinho disse ainda que pretende concentrar sua atuação nas decisões políticas e na cobrança por resultados. “Eu tenho que simplesmente pegar o dinheiro do povo, que ele paga de imposto, e devolver para a população".
'Eu tinha nojo de política' A ascensão política de Cleitinho, segundo ele, não foi planejada. Ao contrário: até pouco antes de disputar a primeira eleição, ele não tinha título de eleitor. Aos 33 anos, precisou tirar o documento para poder votar na própria candidatura a vereador em 2016.
“Até dez anos atrás, para mim ser candidato a vereador eu tinha que ter tirado um título de eleitor. Só que eu tinha nojo de política, nojo.” Ele contou que, quando acompanhava notícias sobre política, sua associação era principalmente com corrupção e que, por isso, nunca teve vontade de participar da eleição. A candidatura em Divinópolis, porém, mudou o rumo da história.
“Nunca imaginei na minha vida ser político. Nunca passou na minha cabeça, isso é tudo obra de Deus”. Divinópolis no tabuleiro político de Minas A força do grupo político de Cleitinho em Divinópolis também aparece na composição parlamentar que se desenhou após as eleições.
Além de Cleitinho no governo de Minas, a cidade tem os irmãos dele, Gleidson Azevedo e Eduardo Azevedo, eleitos para deputado federal e estadual, respectivamente, e o amigo Domingos Sávio, eleito senador e que também mantém uma relação histórica com o município: antes de chegar à Câmara dos Deputados, foi vereador e deputado estadual. É a partir desse cenário que Cleitinho acredita que Divinópolis pode se tornar uma referência política no interior de Minas.
Em entrevista ao g1, ele defendeu um trabalho conjunto que ultrapasse os limites municipais: “A gente tem que dialogar, a gente tem que fazer reunião, a gente tem que fazer um plano de trabalho, não só para Divinópolis, tem que fazer para toda Minas Gerais". Para Cleitinho, o grupo precisa transformar a representatividade conquistada nas urnas em articulação política para toda a região.
Ele destacou que, por ser uma referência regional, o fortalecimento de Divinópolis pode beneficiar também os municípios do entorno. Da rotina em Divinópolis ao governo em Belo Horizonte Mesmo com a agenda concentrada em Belo Horizonte a partir da posse, ele afirma que pretende preservar a relação com a cidade onde começou a trajetória política e onde mantém sua base.
O político, que até então ocupava uma cadeira no Senado e se dividia entre Brasília e Divinópolis, assumirá o governo estadual em 1º de janeiro de 2027. A vitória encerrou uma campanha marcada por uma intensa agenda de viagens e uma forte presença nas redes sociais. Nos primeiros dias após o resultado, Cleitinho retornou às atividades no Congresso e passou a cumprir compromissos relacionados à transição para o novo cargo.
Nesta quinta-feira (15), após um discurso no plenário do Senado ele passou mal e precisou de atendimento médico, foi liberado em seguida e orientado a repousar.
Cleitinho (Republicanos), candidato ao Governo de Minas Gerais, dá entrevista ao votar em Divinópolis Cristian Miranda/TV Integração LEIA TAMBÉM: Veja as promessas de Cleitinho Azevedo para a região do Centro-Oeste de Minas Cleitinho vence em todas as cidades do Centro-Oeste de MG; Flávio Bolsonaro, em 73% De músico e funcionário de sacolão ao pedido para ter chuveiro e cama no gabinete: as raízes de Cleitinho Azevedo VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas
