O médico Rossini Tebaldi Ruback, responsável pelo procedimento cirúrgico realizado em Adriele, se manifestou publicamente nesta quarta-feira (26) por meio de sua assessoria jurídica. A nota foi divulgada após a repercussão do caso e de questionamentos sobre as circunstâncias que antecederam a morte da paciente.
Segundo a defesa, o procedimento ocorreu dentro de uma unidade hospitalar regularmente licenciada, em centro cirúrgico habilitado, com estrutura e profissionais da própria instituição e acompanhamento de médica anestesiologista durante todo o ato. O médico também é apresentado como cirurgião plástico regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina, com Registro de Qualificação de Especialista, RQE.
Conforme a versão apresentada pelo médico, a cirurgia transcorreu sem intercorrências. Já na fase final, após o procedimento ter sido concluído, Adriele teria apresentado de forma súbita e inesperada uma grave alteração no quadro clínico.
A equipe de anestesiologia teria identificado sinais compatíveis com hipertermia maligna, uma condição rara, grave e potencialmente fatal, associada à suscetibilidade individual à exposição a determinados agentes utilizados na anestesia. A defesa afirma que a reação é imprevisível, não está relacionada à técnica cirúrgica e não pode ser identificada por exames pré-operatórios de rotina.
Ainda segundo a nota, após a identificação do quadro, foram adotadas imediatamente medidas de emergência, incluindo a administração de medicação específica e outras manobras para tentar estabilizar a paciente. Um médico cardiologista também teria participado das tentativas de socorro.
Apesar das medidas adotadas, Adriele não teria respondido ao tratamento e evoluiu a óbito. A assessoria afirma que toda a assistência prestada, a evolução clínica, as medicações administradas e as providências tomadas estão registradas e documentadas em prontuário.
Médico contesta informação sobre saída do hospital
Outro ponto abordado na manifestação é a informação de que profissionais teriam deixado a unidade hospitalar após a morte da paciente.
A defesa afirma que, depois da conclusão dos procedimentos assistenciais, do registro em prontuário e da comunicação do falecimento aos familiares, ocorreu no hospital um episódio de violência e depredação, situação que, segundo a nota, foi registrada pela própria instituição e comunicada às autoridades policiais.
Diante do cenário, o setor de segurança do hospital teria orientado expressamente o médico e a equipe assistencial a deixarem as dependências da unidade para preservar a integridade física dos profissionais. A assessoria jurídica sustenta que a saída ocorreu por orientação da própria instituição e em razão de uma situação de risco, não configurando abandono de atendimento ou tentativa de fugir de responsabilidades.
O médico afirma ainda que permanece à disposição da família de Adriele, das autoridades competentes e dos órgãos de classe para prestar esclarecimentos e colaborar com a apuração das circunstâncias da morte.
A defesa informou que outros detalhes clínicos não serão divulgados neste momento, em respeito à memória da paciente, aos familiares e ao sigilo médico.
Ao final, a assessoria jurídica pediu responsabilidade na divulgação de informações que ainda não tenham sido apuradas e respeito à dor dos envolvidos. A nota foi assinada pelo advogado Erick Achy de Oliveira, OAB/BA 22.845, em Ilhéus, nesta quarta-feira (26).
